Aspas

Acidentes cotidianos, modulações inesperadas
Quando a vontade de esquecer se sobrepõe a coisa amada,
Como posso não ferir,
Se meus gestos se tornaram secos e pontiagudos...
Minha apatia e indiferença são facas;
Eu bem sei;
E por isso me dói cada palavra que eu deixo de lado,
cada olhar que eu desvio, cada minuto que esqueço de pensar...

Minha gana em te ver como minha luz foi tanta,
Que logo se esvaiu e agora escorrega por entre a chuva
Que cai em lágrimas por sobre meu rosto.

Despejo nos acordes e nos números
As falhas diurnas e decepções notívagas
Contadas como riscos e pontos nulos
Em retalhos de páginas mal lidas

Lábios que beijei, sem vontade...
Olhos que mal olhei,
Me dói a alma de tanto mau caráter...
Mas me fere o âmago teus olhos em partida;
Que sou eu contigo, ou minha vida?
Mas que sou eu sem ninguém, com minha sina
Me corto nos cacos do seu coração partido,
Sem remédio que me salve de pisar no vidro
Remédios, fórmulas, jardins e roupas brancas...
Lábios e lágrimas interrompendo uma dança...

Não queria ter que destruir sua noite,
Iludi-la foi mais feliz que a face da mentira
Mas sempre chega a hora do açoite,
Onde eu retorno a desprezar a minha vida...
Por sempre preferir a solidão ao coração de quem me anima,
Encarcerado nas unhas e correntes de meus defeitos...

Lágrimas sobre lágrimas, vejo-nos ambos na tristeza...
Que ilógico!


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