Frio

Sinto um frio estranho,
Numa tarde de calor abrasivo
Ao meu lado o copo vazio
O perambular das formigas,
Caço ar para cantar refrões pequenos,
Tusso três, quartro palavras e então silencio
Levanto, sinto em mim um peso descomunal
Deixo a música tocando,
Tomo mais um remédio.
Me abraço e me sinto abraçar o mal
Garreia minhas costas, minha garganta
Me sufoca e segura minhas pernas,
Exibe a face e meu peito arranca
Estala minhas costelas enquanto as quebra;
E eu imóvel, com frio, e no sol.
Versos melódicos me acariciam
Deixo meus olhos fecharem e balbucio
Duas palavras que não consigo explusar de mim
Cato roupas pelo chão, vejo o sol aparecer novamente
Seco o chão, as formigas sumiram tão de repente
Sinto frio que é a falta e ao mesmo tempo tua presença aqui
Sem cobertas, de peito aberto sob a janela
O Sol tímido, sucumbe ao vento pálido
Minha garganta se fere de tentar cantar.
Frio que me toma por tua falta,
Me passa os dedos de leve,
Me arrepia e me faz tremer
Sinto tua falta tanto que meu corpo se recusa a se aquecer
Só se deixa esquentar com teus braços,
O sol se humilha, e mais uma vez some.
E eu fico tremendo, sozinho com o copo vazio
Tomo mais um remédio, sinto cada vez mais frio
Frio que só me dá mais frio...
Frio.

Posted at às 11:52 on 22/11/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Lençol

Nuvens saturadas no céu
Um colchão esticado, um lençol dividido
Eu abraço não dado, um olhar indeciso
As flores se curvam na chuva

Minha alma em paz,
Repousando no teu peito
Mesmo que meu corpo deite ao teu lado
Sem esboçar o menor movimento,
Minha mente está abraçada contigo,
Mesmo que meus olhos nem te toquem a face
Nossos pés entrelaçados são a prova
Que nosso espírito se une, mesmo sem contato da carne

Não são as perguntas que te trazem aqui...
São as respostas que te fogem a mente perto de mim
São elas que nos ferem,
Então nos abrigamos das dores no abraço breve,
Que é como solista num coral cujas vozes são a chuva
Apenas diga que sou eu quem te guia pela névoa turva...

Posted at às 09:36 on 16/11/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Execução

A cada dia em que essa agonia me sufoca,
Meu peito a tristeza nos dedos encerra
Corrói os meus sonhos e mágoas desterra,
Atrofia minha mente em úlcera nervosa,
Estripa às formigas minha alma leprosa,
Cede aos vermes em pedaços minhas telas
E devora meu corpo como fosse uma fera.

O quanto mais, me pergunto:
Seria possível sonhos suportarem este ataque?
Se nem eu próprio mais reconheço minha face,
Deformada de cefaléias e chagas,
Que se acumulam dando de comer às pragas,
Que habitam essa chuva torrente e nefasta,
Que chamo de vida, que chamo de casa?

Só me resta esperar que meus esforços
Rendam-me mais que decepções e escombros
Alimento-me de restos de felicidades passadas,
As migalhas do presente não mais me saciam a fome;
Deixo-me levar por incerta cartada
Que me deu breve otimismo citando teu nome,

Tonto e enjoado,
Neusante do fedor das moscas na carne podre;
Me sigo próprio às entranhas arrastando
Caminhando lentamente com o estomâgo sangrando
Rodeado de abutres famintos em rebuliço insano,
Dos que acontecem antes do jantar humano,
Mas que entre os abutres comemora a carniça
Que breve se mostra a ruir inteiriça,
Antevendo o banquete a servir a corja inimiga.

Posted at às 13:30 on 10/11/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

07:46

Pássaros que voam sem rumo,
Em direção ao inalcançável
Me retiram as forças em suspiro
Dilaçeram os laços do palpável

Meus braços ao redor de ti,
E teus olhos, cobertos pelo teu cabelo,
São como me marcassem a ferro em brasa:
Eis tua vida, eis tua amada;

E eu me culpo, te anistio
Mas te amar é cada vez mais sufocante
Engulo as lágrimas e penso em ti

Se houvesse uma forma de te ver sem doer assim,
Eu pegaria em seu braço e nunca mais te soltaria;
Entraria em tua alma de tanto olhar-te os olhos,
Tatearia-te de leve como se quisesse te cobrir...

Só desejo amar sem dor sentir
Que faça bem apenas,
Que não me desligue das minhas obrigações
E que na medida do seu tamanho fizesse-me feliz...

O que seria pra sempre.

Posted at às 07:45 on 05/11/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

(...)

Se meu peito pudesse te falar cada palavra,
Ou mesmo ainda se houvessem palavras para tal;
Se ele descrevesse em capítulos minha angústia
Em ver teu pulso marcado cicatrizante...

Teu amar por mim seria testado,
Você jamais faria isso de novo,
Por medo de me ter calado,
Sob a terra que nesse dia você teria se atirado...

Eu te amo, por mais que eu não seja o bastante sábio pra demonstrar...
Eu abriria mão de tudo por ti...
Não me mate por matar-te, você mataria ao menos minha vontade de existir...
Me encarceraria num constante te procurar e não te ter...
Que medo eu tenho de um dia te perder,
Que me congela nesse instante de ser o que devo...
Se meu peito pudesse te contar a dor que sente
Ao relembrar a imagem de teu pulso fino...

Eu temo por você longe de mim...
A cada vez que me despeço, sinto-me rasgar
E agora ainda temo, pelos motivos que fazem-te sangrar...
Como eu queria poder estar perto de ti quando fizeste o que fez...
Como me dói a imagem do que poderia ter acontecido,
Me mato só por pensar no teu suicídio...

Eu imploro que nunca mais repita...

Posted at às 00:22 on 03/11/09 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Ânsia

*Os artistas que se dependuram nos arietes das angústias
Observando a fraca carne em pútrida lamúria
Desprendem-se em vermes que lhe consomem a carne escura
Remoendo-se em dores que a própria mente estupra;

Estalando como juntas pobres de cálcio
Ossos que esfarelam como em tétano agonizante
Te persigo como andando a pés descalços
Ouvindo tuas afrontes que me clamam por infante;

Fraco sou eu de ti diante
Realizo que minhas ações não passam de palhaçadas,
Que me deixam cada vez mais de mim distante...

Queria eu que fosse menos variante,
Que minha personalidade predominasse às minhas burradas,
Mesmo ciente que me chamarias de farsante...

Posted at às 22:33 on 02/11/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Rápido

Inútil - Desagregado de poder sentir;
Minhas palavras são o ato de repetir
As mesmas frases que eu cansei de dizer,
Por que simplesmente é impossível?

Se eu sou merecedor de uma amizade tão forte,
O que há de errado em mim pra que eu não seja de um amor?
Inevitavelmente penso na minha timidez, na lerdeza de pensamento,
Na imbecilidade de pensar em uma coisa só a todo momento,

Nas frases malditas que te fizeram pensar que eu não te amava mais
No beijo infeliz que nos partiu em dois
Penso que mesmo que compartilhemos a alma,
Seu coração estará eternamente distante do meu...

Posted at às 07:47 on 15/10/09 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Tortura

Meus olhos ardem de lágrimas não choradas
Da saudade que eu prefiro não mostrar correspondida
Minhas fracas veias o pobre peito esmaga
Bombeando a cada segundo dores mais malditas

Meu sangue é rio poluido,
Cheio do lixo da mágoa e da mentira
Meu corpo é lento e enegrecido;
Meu coração se endurece a cada dia;

Corpos jazem em frente meus versos
Lambendo as feridas e os remendos dos meus lábios
Verdades com as entranhas expostas
Que você estripou uma a uma com suas palavras

Rasgo a fraqueza enterrando-a em águas turbulentas
Todas as ruínas e colunas
Que mantinham em pé o sentimento

Mas que cruel é o meu amor;
Que se move e se ergue mesmo esquartejado;
Seus olhos e atos são como melodia hedionda
Que fere meus sentimentos e devora minha vida
Que seria de mim ao teu lado,
Senão vítima indefesa à tortura condenada,
Te ouvir e te ver, te beijar com medo de te perder
Perfuraria meus olhos por te ver distante,
Arrancaria meus braços por tornarem-se inúteis na tua falta
Seria como ter em mim um espinho penetrante,
Que entraria em minha pele pra cortar a minha alma...

Posted at às 19:53 on 12/10/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Lichtgeist

Em que escoam os versos
Nas fendas das cicatrizes abertas,
Você é o que me faz entender o que é certo;
Me afasta das minhas próprias trevas;

Eis teus olhos e teus lábios que se manifestam
Sinto que mais na minha presença,
Provocam e tranquilizam ao mesmo tempo
Ferem aliviando a dor;
Sinto longe de ti como em uma leve tormenta
Me confundindo felicidade e amor;
Partindo os pecados que ainda matenho.

Não são precisos linhas longas ou versos rebuscados;
Mas entre nós nunca são poucas as palavras e os atos;
Só são espessos e distantes; mister sejam mais estreitos
Mister sejam mais constantes, mister sejam mais intensos.

Posted at às 01:20 on 25/09/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

d(eu)/d(vida)....

Seja a vida em módulo
Há sempre limites;
Tendendo a pontos inalcançáveis,
Com todo rigor matemático.

Sistemas sem soluções reais,
Linhas de zeros a cada poste que ficou pra trás
Até que uma única operação os soluciona
Mesmo que seja imaginária, a solução se toma
Descoordenando meus eixos,
Invertendo meus desafetos e desapegos.

Tangente a sonhos e secante à decepções;
É parte de descontinuidades de funções,
Que não se derivam nem em meras novas razões
Sem variar, sem inflexões

Quero continuidade,
Quero simplesmente que haja solução;
Estou cansado de equações pela metade,
Com eixos faltando e a verdade;
Cansei de viver numa abcissa morta,
Quero pontos pra me dar sentido.

Minha vida é como uma função descontínua e complexa;
Cuja solução luta pra não ser simplesmente imaginária
Que se defina e se ache uma e apenas uma,
Ordenada que satisfaça o meu sistema
Resolva meus dilemas,
E que um dia eu me veja
No ponto de ordenada esta e abcissa eu mesmo
Que será o ponto onde me verei sem medo.

Posted at às 00:19 on 19/09/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Aspas

Acidentes cotidianos, modulações inesperadas
Quando a vontade de esquecer se sobrepõe a coisa amada,
Como posso não ferir,
Se meus gestos se tornaram secos e pontiagudos...
Minha apatia e indiferença são facas;
Eu bem sei;
E por isso me dói cada palavra que eu deixo de lado,
cada olhar que eu desvio, cada minuto que esqueço de pensar...

Minha gana em te ver como minha luz foi tanta,
Que logo se esvaiu e agora escorrega por entre a chuva
Que cai em lágrimas por sobre meu rosto.

Despejo nos acordes e nos números
As falhas diurnas e decepções notívagas
Contadas como riscos e pontos nulos
Em retalhos de páginas mal lidas

Lábios que beijei, sem vontade...
Olhos que mal olhei,
Me dói a alma de tanto mau caráter...
Mas me fere o âmago teus olhos em partida;
Que sou eu contigo, ou minha vida?
Mas que sou eu sem ninguém, com minha sina
Me corto nos cacos do seu coração partido,
Sem remédio que me salve de pisar no vidro
Remédios, fórmulas, jardins e roupas brancas...
Lábios e lágrimas interrompendo uma dança...

Não queria ter que destruir sua noite,
Iludi-la foi mais feliz que a face da mentira
Mas sempre chega a hora do açoite,
Onde eu retorno a desprezar a minha vida...
Por sempre preferir a solidão ao coração de quem me anima,
Encarcerado nas unhas e correntes de meus defeitos...

Lágrimas sobre lágrimas, vejo-nos ambos na tristeza...
Que ilógico!

Posted at às 01:17 on 11/09/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Resquício

Um passeio na grama;
Passos em falso e descentrados,
Quedas em solo falso;
Me deixo andar descalço
Nos cacos seus e de minhas aflições;
Pois há o que me faça flutuar
Sobre sua sombra a me queimar os pés.

Se em teus atos como tu és em pensamentos
Faça de tua vida, da mente um complemento;
E na minha cabeça tu não tem mais razão de estar
O que era bom agora perdeu lugar;
Pois até a tristeza que eu sentia me fazia te amar,
Foi a felicidade que matou o meu amor por ti,
Sepultou-o numa tumba de rosas e sangue seco;
Erros e desculpas lacrados com desprezo.

Foi a felicidade que matou o nosso amor
Primeiro a sua longe de mim,
E agora a minha em não pensar mais em ti;
Me faço na mente como sempre fui na realidade,
Distante de ti e do que fossemos;
Sinto como um remédio em minha'lma,
Que me traz pra longe de ti e da saudade.

É mais quente o beijo fora da tua boca,
São mais fortes os abraços sem o cheiro da tua roupa;
São mais intensos os sonhos sem tua voz,
São mais escassas as razões pra pensar sem teu olhar,
É mais saudável minha vida sem o constante pesar,
De você ser o que é...

Não a mais tempo para palavas doces
O que restaram foram frases apáticas entre nós
Não há mais sentimento nos poemas
Nem há mais força entre os nós.

Amo mais a vida sem ti do que a ti mesma!

Posted at às 02:04 on 05/09/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

O que eu (não) estou vendo pelo vidro

Minhas pernas inquietas me condenam;
Elas só se acalmam com teu rosto...
Jamais me vi sentindo falta tua na penumbra,
Mas me vejo agora, caçando cheiros numa coberta usada...

Não há mais noção de tempo,
Exceto na tua ausência (que me é quase todo o tempo);
Não houve nenhum esforço meu, ao menos...
E ainda dou-me o direito de ter dúvidas,
Que são culpa minha em restringir nossos momentos
À fins de noite e complementos...

Não espere mais abraços como cumprimentos;
Lhe darei beijos e carícias logo que nos virmos.
Quero que sinta que não me acanho de pouca gana,
O que me prende é sim a intensidade, a minha imaturidade,
E a diferença que tu tens diante das outras,
Com as quais talvez agisse diferente, contudo;
Sem sentir frio por não ter seu corpo a me aquecer durante a noite,
Sem sentir vontade de sentir teu cheiro impregnado em minhas roupas,
E sem a incerteza que - de leve - me atormenta.
Qualquer dúvida, por mais complexa que pudesse o ser,
Não teria a menor importância.

Queria eu que a sensação de ser o momento nosso
Durasse mais que uma noite ou um dia...
Mas por outro lado,
Nada muda quando te revejo o sentimento de alegria,
Ou a complacente conversa que as vezes temos
E que nos harmoniza...

Então me sento em frente ao vidro,
E cantarolo músicas em Dó em nona;
Que são as mesmas notas com as quais chorei e sofri...
Mas que, seja por quanto tempo for, agora lembram teu sorrir...

Posted at às 02:10 on 29/08/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Cólera

Escorro meus lábios,
Gotejam de mim os destroços de uma humilhação.
Meus sonhos se calam diante da sua imensidão,
tu não foges da minha mente,
Por que de tão presente tornou-se minha maior obsessão...

Minúscula partícula de pesar, transmutada
Em rasgos de palavras,
Em oceanos de dor e dúvidas;
Minha vergonha é a de não ter sabido lidar,
Nem com o seu amar nem com o meu...
Nem com os momentos antes não tão raros de felicidade,
Nem com as perdas e destruições de uma derrota.

Tudo que um dia eu sonhei,
Foi enterrado em mágoas;
A vida me fez ver bem de perto as suas lágrimas...
Mas me privou de ser o motivo de seus sorrissos.

Sonho em meus abraços como sendo o teu abrigo,
Careço de razões pra continuar fantasiando com teu rosto...
Rápidamente se desfazem em lembranças dolorosas,
As imagens que - embora falsas - me ajudam a espantar o que me aterroriza...

O mesmo sorrisso que me acalma,
Sem mudar agora me enraiviza.
Encolerando à fácil exposição,
Meu coração aos poucos se desvaloriza,
Ao limiar da incompreensão e da fatiga.

Posted at às 03:08 on 11/08/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Meia Luz

Rasga as cortinas da minha alma
Despedaça a minha carne e me encoleriza;
Meu rosto queima no despertar dos sonhos,
Teu nome é como faca encravada no meu crânio.

Um prego que afunda nos meus olhos
Tu martelas a morte em meu ouvido,
Ouço cintilares ecos de gemidos
Fracos ecos da minha saudade
Lampejos embaçados do teu sorrisso..

Eis a tua face em máxima expressão,
Minha dor e minha raiva, que me consomem...
Meus desejos em ojeriza suicidar-se-ão
Deixando-me a sós com minhas angústias e a solidão...

Posted at às 03:00 on by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Estado

Uma noite vieram me visitar
Pessoas de bom coração, de alma serene
De força e compaixão;

Ao se aproximar, senti estranho toque,
Senti como se fosse ao teu lado...
Ao me questionar qual seria esse laço,
Eis que a resposta logo viera;
"Esse é o amor que sinto por ti,
puro como o que sentes por ela!"

E raros foram os pensamentos
lúgubres e lamuriosos em minh'alma;
Só restou a vontade de extender aquela paz a ti.

Feliz de quem é certo de seus sentimentos...
Há os que são cárceres de si mesmos,
Chafurnando nas asas do momento.
Impregnados de verdades distorcidas,
Corrompem sua própria alma e lamentam
a perda tão sofrível de uma vida...

Mas eu nunca tive dúvidas,
Amar é a máxima expressão do bem.
Que encarceram em suas mágoas...
Tantos que não aceitam tão pequena condição...

De aceitar, quão simples é meu coração...
Faltas e falhas, mentiras e dor,
Nunca seremos nada,
Duas pessoas que insistem em se ver,
Em se preocupar e se arrepender,
Mas cuja razão única é o amor...

tributo à pessoas que me cercam e apóiam mesmo não estando no mesmo plano que nós. Obrigado.

Posted at às 02:36 on 03/08/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Porcos

Me ardem o peso das palavras
Que me cortam o sentir em fome;
Sinto o cheiro dos porcos,
Que me caçam a largas passadas...

Na hora meus sonhos hão de vir,
Tornar-se-ão a minha vida enfim
Aquela que habita minhas noites
Que precede meu sono,
E corrompe meu suspirar...

Peca em excessos,
Excede nos retrocessos,
Nossa vida é uma teimosia!
E que nos há de salvar...

Queira ler entre as linhas,
Há mais mensagens que se pode imaginar
Corte minhas veias mais do que estão!
O que ainda me há de tomar?

Posted at às 00:48 on 03/07/09 by Postado por Forbidden | 2 comentários   | Filed under:

Lábio

Maculo as paredes dos quadros
Habito as teias dos pensamentos
Calculo as viagens e momentos
Embebendo-me esperando reles fatos.

Que és mais que uma miragem no poente
Estirada com as mãos no meu rosto
Tocando o meu peito com os lábios cerrados
Enquanto o céu desabava em torrente?

Paredes transponíveis
a teimosia que nos há de assegurar;
dessas ilusões do sentimento...

Em tracejos sinuosos teu lábio encerra
O desejo de segurar-te em proteção;
Pra que nosso amor não nos mate em sofrimento!

Posted at às 23:20 on 01/07/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Tela

Oníricamente a face não tem cor,
Resume seu viver em um exisitr incolor,
Cravado de pedaços e palavras...

Palavras, essas que tem endereço,
Quão ridículas são as declarações!
Quão óbvias são as mentiras,
Não passam de orgulho os entraves,
Lento a despertar tão tarde,
O amor que é cego e é inutil!

Amor esse que é compartilhado,
Mas não entre nós direcionado,
Como é pífil ver-te proferir
palavras tão óbvias e tão densas,
As mesmas as quais escondo aqui!

Posted at às 23:53 on 24/06/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Julgamento

Quão infeliz é a saudade,
O desgosto do desejo,
A falta do te ver...

Questiono se perto seria melhor...
Talvez seja a distancia que nos salve,
Mas é tão doloroso querer-te aqui,
Que me pergunto se valeria a pena um constante sofrer,
No trocar por ve-la sempre...
E com nossos recentes encontros a considerar,
vejo que ia ser mais que um sofrer constante...
Seria um acostumar;
Seria novamente acostumar ao silêncio, ao chorar baixinho;
Mas eu teria com quem argumentar
Coisas que só entre nós faziam sentido...

Eu quero a tranquilidade de poder falar-te,
Sem ti por perto a felicidade é efêmera;
Persiste até você surgir em minha mente...
Só queria também que fosse justo,
Que fossemos fiéis a nossos sentimentos...
Se mesmo mentindo, escondendo, ainda queremos ficar juntos,
Que mal há se houver consentimento?
O sofrimento sempre fez parte de nós,
E eu nunca quis te deixar pra trás...
Mesmo doendo é melhor a dor do que a aflição que sinto,
De ter-te de volta em minha mente, mas não em meus ouvidos...

Um dia o nosso "adeus" será feliz,
Não o prelúdio de uma manhã chorosa;
Cansei de leva-la embora e voltar ao copo,
Quero levar comigo a certeza de que te importa...

Quero teus lábios procurando os meus,
Não os meus a caçar-te em vão...

Mas não tenho forças pra desejar,
O ânimo de sonhar já a muito se foi,
Você sente o que eu sinto, você chora pelo que chorei;
Mas eu nunca quis isso...
Me transformou, me recriou,
Mas me cortou feridas que nunca fecharam...
E que doem sempre que eu beijo outra boca,
Abraço outro corpo, falo besteiras por falar...
Me dói por que eu sei que não é com esta boca, nem com este corpo,
Que eu seria feliz...
Me dói por que minha felicidade está em ti,
Transcendendo tudo que passamos...
E sei, que se tu sentes o que eu sinto, será assim...
Me beijarias sem querer realmente,
Me abraçaria procurando outros braços...
E de adianta que tu sofras, se só te afasta...

Posted at às 22:33 on 23/06/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

d(Eu, Você)=k

Me devolva as palavras
Que respondem às perguntas que me faço,
Por que eu não me importo mais?

Me alivie as dúvidas,
Por que ela não me importa,
Por que eu não dou a mínima importância,
Enquanto ando sonhando com alguém ainda mais absorto?

Não ouse voltar,
Não arrisque ouvir de mim que você perdeu seu tempo,
Perdeu sua vida distante de mim,
Jamais te perdoaria por ter me feito esperar,
Por ter me feito te amar sem eu mesmo querer,
Por ter realmente me amado e não admitido,
Por ter um dia ainda brigado comigo,
Não te perdoaria jamais, mas não ousaria discordar de mim...

Que mal me fazes, quantas dúvidas motivas,
Quantos nãos já falei por tua causa...
Quantas vezes acordei com a alma mordida...
Quantas vezes me tiraste a calma!

Nós que nunca fomos nada,
Que nada é esse que toma tanto espaço em mim?

Posted at às 21:07 on 10/06/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Oceano e Trevas

Cortaram as cordas
Que atavam minha vida
A pedaços disformes do passado.

Rangeram portas atrás de mim,
Fecharam-se caminhos,
Mas desataram-se nós em mim.

Nós que me confundiam...
Prendiam, em lembranças,
Em fatos inverossimeis,
Nós que nunca seríamos,
Nós que nunca fomos.

Nós que atavam dores,
Nunca fomos,
Nós que nos amavamos,
Talvez tenhamos sido,
Mas do que nós são culpados?
Só dos nós que se tenham partido...

Posted at às 14:59 on 07/06/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Som (Capricórnio, Capricórnio)

Não há certeza de nada, exceto a energia
Que circunda, rodopia, gira
Vai crescendo.
Eu vou sentindo como se você estivesse aqui,
Como se quissesse ao menos estar.

Mas eu já senti isso antes,
O que há de diferente?
Há que com você não há o que cobrar...
Não menti, não trai,
Não sofri...

Há o que presente,
No próprio presente estar,
O que sente o presente,
Em ti mesma não ficar

Não ficaram marcas, antes tivesse as deixado;
Que o que fique permaneça por mais tempo...
E se não ficar, não será pra sempre...
Não será o último, e não será o único,
Será apenas um, será apenas mais um;

Será apenas um sábado...

Posted at às 01:00 on by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Água (Aquário, Gêmeos... )

Regando jardins de esperança,
Nutrindo rosas rasgadas e caídas,
Reuno pedaços em sorrisos de meio lábio,
Mais profundos e sinceros que uma boca inteira.

Poeira, fuligem.
Não há carros, mas o ar não é puro,
meu corpo não é tão leve,
E o som não é tão suave...

Eis então que sua voz se aproxima...
Teu beijo só me lembra o carinho...
Tuas palavras não me trazem dor,
Queria eu ter despertado sozinho,
Mas quão bom é acordar a dois...

E ver meu corpo ir purificando,
Seus lábios lentamente adocicando,
Com o doce de meus beijos,
Embalar-te um contido sono,
Aquecer-te em uma noite fria...

Se soubesseis do quanto me libertaste...
Talvez me prendesse em teus abraços,
E não mais me soltasse!

Posted at às 01:19 on 02/06/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Frio

Árvores secas, ventos gelados,
A chuva fina,
Os sopros glacias...

Sinto falta de quando era frio,
De quando aquecer era fácil...
Os gatos assistiam,
Os fantamas observavam...

A infindável fonte de assunto,
As conversas que sempre acabavam com um:
"Até amanhã",
e as vezes em que eu dormia acordado,
Ouvindo palavras de reclamação,
Tão doces quanto as vezes que diziam que me amavas...

Sinto falta de quando você sentia falta de mim...
Sinto falta das tardes frias...
Sinto falta da chuva fina, das palavras sem sentido...
Por que as palavras não careciam de sentido,
Quando o objetivo era ficar junto...

Sinto falta do silêncio...
Sinto falta dos meus sonhos...
Sinto muitas coisas, mas não sinto...

Posted at às 19:29 on 16/05/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Vento

Hiatos...
Forças dissipativas, carcaças,
Ruínas e vazios silenciosos...
O Sono, a Ira,
O desespero, a revolta...

Que há de ruim em sofrer,
além da falta de esperança?
Corta-me a garganta pensar em soluções...
Dilacera-me o peito pensar em possibilidades...

Que há na vida de tão ruim,
que não possa perder-se a esperança?
Seu rosto, em meio a números,
Soa como um tiro de misericórdia...
Como vc podia ser boa...
Como podia ter sido a redenção...

Às vezes penso e sonho,
Após um dia exaustivo encontrar-te em casa...
Dormir a teu lado, viver em teu colo,
Conversar coisas fúteis em troca da tua companhia...

Não me devolvas à apatia...
Não me devolvas à derrota...

Não queiras assistir de perto tudo que passei contigo longe...
Não seria agradável a visão... te forçaria a te afastar,
E assim tudo seria o que sempre foi;
Corrosivo até perfurar meus olhos,
Lágrimas ácidas que doem ao cair,
choros da minha alma que insistem em não se expor materialmente...

Dúvidas não são bem o termo,
Sofro de certezas, impossibilidades...
No amor, na vida, na alma...
Sofro de profecias incompletas,
de calmarias inquietas...

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Genérica Repulsão da Indiferença Traçada em Olhos Secos

Mera ilusão acreditar,
Que a abstinência era a solução.
Mesmo longe, mesmo sem ouvir tua voz a tanto tempo,
Eu busco sem perceber um "você" em cada uma delas...

Quem dera houvesse uma solução...
um remédio, uma pílula
Eu já desisti a muito tempo de você,
Já cansei de sonhar, já esquartejei minha esperança
(e faz muito tempo),
Mas eu ainda olho as fotos com pesar...
E te vejo em cada chuva que me faz refletir,
Cada noite que eu ando sem ter pra onde ir,
Em cada pequeno olhar, em cada amigo...

Minha cabeça voltou a doer...
E eu voltei a tocar guitarra...
Comecei a te trocar por contas e cálculos,
Acordes e analgésicos,
Mas nem o tempo, nem a distância, nem a falta, me fizeram te esquecer...

E só dói não entender por que ainda dói...
Não é nem a perda, não é nem a vergonha,
Nem a decepção,
São só as cicatrizes,
Só a doença que degenera...

Quisera eu ter como imaginar,
Minha vida sem o teu rosto na minha mente...
E quisera eu não ter um dia tentado entender,
Quisera eu ter sido como você... ainda...

É injusto escrever por ti,
é injusto você ainda ter em mim alguém que te ama...
Onde isso me é retribuído?
O que ganhei com isso?

Ganhei o silêncio,
Ganhei a ausência,
Ganhei a falta,
Ganhei a neurose,
Ganhei o medo,
Ganhei o pesar,
Ganhei a mentira, que minto todos os dias...

Ganhei as farpas de uma ilusão,
Perdi toda a alegria sincera de antes...
E tudo isso ainda sem desejar...
Por que por mais que eu um dia tenha te amado,
Nada é tão grande ao ponto de resistir a tantos efeitos colaterais...

Posted at às 16:51 on 25/04/09 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

O Crediário

Fere ferozmente,
Corta sutilmente,
A sensação de saudade do retrocesso,
a dívida, a dívida...

As nuvens escuras que me rodeiam novamente,
A paz me roubam docemente em doses,
Cada gesto, um golpe.
Dívidas, dívidas.

Dívidas que dividem minha alma,
Em frações indeterminadas,
Em numeradores nulos,
Cortes expostos e frágeis,
Palavras que ecoam sem minha vontade...

Dívidas, dívidas,
Que possuem minha alma,
Dívidas, dívidas,
Que destruiram minha calma,
Dívidas, dívidas...

Sonhos...
Que penosos!
Dívidas que ecoam até no meu astral,
Falhas incorretas...

Rasgue, rasgue,
Perfure.
Deixe-me pagar a conta à vista,
Essas prestações estão me matando...

Dívidas, dívidas,
Dividindo meu tempo entre obrigações, sonhos e tempo perdido,
Queria eu perder meu tempo...

Posted at às 13:44 on 22/04/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Subterfúgio

Amargura das tuas dores
Expostas em chagas carnais,
Eu não respiro mais o mesmo ar que ti,
Eu me recuso a pensar no mesmo que ti,
Eu me recluso ao meu esquecer...

Dê-me outros motivos que não a dor pra te rever,
o masoquismo de sentir de novo o agudo grito da morte
Teus dedos me lembram garras, que cortam minha pele
Meu coração é fogo fátuo que queima gelado dentro de mim,
Forçando-me a expulsar o calor pela boca...

Asas rasgadas boiam no teu mar,
Dos anjos que te tanto rodear-te, caíram,
E queimam nos teus dedos.

E é o amor, o mesmo que me consome,
Que me leva ao asco de te ver...
Onde seria possível entender,
Que uma criatura me fizesse tal bem,
Para depois me afogar no mal?

A guerra é o meu subterfúgio,
O eterno sofrimento de me desculpar.
E a cada frase ver nos teus olhos escrito:
"Você não era assim".
E com cada olhar te responder:
"Foi por tua causa que me transformei"...

E ainda ver-te admitir, e impotente desertar
Deixando em mim as chagas a curarem por si só...

Posted at às 11:06 on 02/04/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Projeção dos Olhos Vagos Na Noite Colorida

Meus olhos já não sentem mais,
Observo a noite com olhos de plástico
Sinto você se aproximar
Como se fosse o vento
Sinto você por mim passar
Como se fosse por dentro
Sinto você me observar
Mas eu não te entendo...

Seus olhos curiosos que não dizem nada,
Seu corpo sinuoso que se esconde dos meus olhos,
Seus braços nus,
Sua perna semi-exposta,
Seu olhar cadente, ainda paciente a esperar
Que eu olhe talvez, pro mesmo lugar
Seu olhar ciente que é melhor estar
Olhando pra dentro de si,
Confiando a si própria palavras de amor...

Quais serão os seus comentários
Depois que a bebida acabar...?
Como será a sua noite
Depois que a noite acabar...?

Posted at às 12:40 on 14/03/09 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Doença Crônica

Somente às minhas ocultas companhias permito saber,
O quão efusivamente desejo tocar-te a face...
O quão profundamente desejo-te o bem,
Em detrimento dos meu próprios sonhos...

Momentos privados me são momentos de privação...
Sozinho, sua ausência se torna mais notável...
No calor do travesseiro tua falta é mais constante,
Em alguns momentos chego até a senti-la...
Até me iludo em pensar que te faria feliz o meu toque...
Até que você aparece na minha frente,
Reluzindo os olhos enamorados,
Alheia ao mundo ao redor e ciente da própria alegria...
E então faz-se pó a minha ilusão,
Faz-se cinzas o meu peito,
Faz-se faísca da minha compaixão...
Que ainda insiste em ponderar:
"Que seja feliz, não comigo, mas com quem quis"
Antes eu compartilhasse desse desejo...

Quando então desistirei finalmente?
Nunca movi um músculo para ter-te em meus braços novamente...
Mas minha mente sempre alimentou a esperança no seu amor...
Mas até dele, e principalmente dele, eu devo desistir...
Mas como é duro desistir de algo tão desejado...

Meu coração pesa mais que meu corpo...

Posted at às 11:20 on 24/02/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Capital

É como um céu estrelado,
As estrelas se apagam com a luz da noite,
A luz elétrica fútil e podre...
Só sobram as estrelas mais próximas ou mais brilhantes,
Assim como as vezes só se notam as luzes menos distantes,
Mesmo que no além destas existam muitas outras,
Muito mais brilhantes, muito maiores e muito mais belas...

A lua assiste um relampejar de luzes fracas todas as noites,
As luzes dos olhos que ainda choram por estrelas cada vez mais distantes,
As fracas cintilâncias de corações amargos de tão ácido que se tornaram.

As nuvens já não são mais obstáculo,
Não para os meus pensamentos,
As luzes ainda cegam meus olhos,
Que ainda marejam com pensamentos inúteis...

Como é difícil admitir que não foi NADA
Que jamais será alguma coisa,
Sendo que por meses pra mim foi tudo,
Admitir de uma vez que nunca será NADA

Eu REALMENTE amei,
Eu REALMENTE sofri,
Eu REALMENTE mudei,
Eu REALMENTE quis...

De todos os meus defeitos e erros, eu jamais fui falso...
Talvez tenha sido burro de tentar mentir coisas óbvias...
Mas estava escrito na minha cara todos os meus sentimentos,
Estavam fervendo em minhas veias todas essas palavras...

Mas não foi NADA, e jamais será alguma coisa...
Eu perdi, eu não superei e sou fraco
Eu admito ao mesmo tempo todos esses defeitos...
É tão dificil esquecer, por que é admitir mais que uma impossíbilidade,
É admitir uma incrivel e sonora DERROTA.

E uma derrota que eu perco cada vez mais...

Posted at às 18:28 on 21/02/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Os 7 Mares da Minha Culpada Consciência

Navega em mim de velas abertas,
Larga tua âncora em mim e repousa
Tua mão sobre meu corpo.

Ancore-se no meu peito,
E abrigue-se nas minhas mágoas,
Corte-as ao meio e desfacele-me,
Eu sou o rio que sobrou do seu mar,
Que secou nas veias de uma solidão,
Meus pedaços boiam no meu sangue,
Meu corpo nada.

Meu ego se perdeu nas cachoeiras dos teus olhares...

Eu te amo, na mesma proporção que me afogo
Corto meu âmago em pedaços e te cobro,
Pelas pequenas mentiras no teu olhar...

Meu barco velejará,
Pra longe de ti.
Deixe-me ir, e não me faça me arrepender...

Eu vou pra longe, pra ver se o mundo é redondo
Se eu nadar até o fim dele,
Voltarei para os teus braços, um dia...

Tempestades são as palavras soltas,
Os ventos secos,
Os perfumes doces,
Os olhares cabisbaixos,
E os cabelos negros,
Que me lembram você...

Mas meu barco está em alto mar,
A deriva, solto pelo seu navio,
Aos poucos me distancio,
Até um dia ancorar em mim mesmo.

E não me faça querer pular no mar,
Nadar de volta tudo que velejei,
Não me faça seguir de bote pelo rio extenso,
Nas águas turvas da derrota superada,
Não me faça colocar tudo a perder...

Deixe-se acorar em mim, mas não me faça recair...
Crie um novo rio, abra-me em mar,
Mas não me faça querer voltar a nado...

Posted at às 20:58 on 06/02/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Síntese

Uma síntese imperfeita da simbiose carnal hominal exemplificada em pequenos instantes despedaçados incrustados em peitos nus e virginais (ou não).

Cortes profundos que cicatrizam sem cicatrizes, pastas de dor que não dóem com o tempo, tu és as cores que eu não enxergava, tu és as facas que me cortavam, tu és as estrelas que eu não alcancei, tu és as farpas da minha saudade.

Lábios que diziam palavras voláteis que logo ligar-se-iam com as palavras que da minha boca partiam, teus lábios eram os mares por onde meus barcos se perderiam, teus lábios eram os céus por onde meus aviões rasgariam em queda, teus lábios são os pesadelos que eu sonhei, teus lábios são os sonhos que eu nunca imaginei.

Teus olhos eram as margens do infinito realizado em pedaços parcelados do amor que eu achava possível de alcançar, teus olhos eram as luzes que me faziam enxergar, teus verbos eram os olhos a que me faltavam, e teu olhar era o mundo ao qual eu tentava despertar.

Tu és o que de mim foi usurpado, tu és o que a alguém foi agraciado, com a mesma facilidade que a mentira pelos meus ouvidos entrava e pela tua boca saia, tu és a falsidade ignorante que me cercava, tu és a luz exatasiante que me cegava, tu és o aconchego que mesmo assim desejava, tu és o abraço que me falta.

Posted at às 21:21 on 19/01/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Chumbo II

Minha alma de chumbo,
Minhas asas de chumbo,
Sobre o mar escaldante.

Minhas asas de chumbo,
Voam mais leves que minha alma
Minha alma de chumbo,
Ferida pela água do mar do egoísmo.

Meu ego de chumbo,
Encharcado de óleo.
Meus olhos de lama,
Cheirando a medo,
Meu corpo é ar.

Meus erros de lata,
Minhas mágoas de ferro,
Meus medos de prata,
Minha alma de chumbo,
Meus braços de alumínio,
Enferrujados com sangue.

Minha alma de chumbo,
Que flutua num mar de fracassos,
Arrependimentos e erros,
Afunda num mar de lama e discórdia,
Num pântano profundo de medo.
Meu corpo se torna um fardo,
Meu espírito se libertará mais cedo...

Posted at às 15:30 on 16/01/09 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under: