[ ]

Desmembrar-me no abstrato, no vazio;
Encher-me o corpo de névoa
Paredes
onde perfuro
em queda
superfícies onde caio,
e sem trégua,
afundo em fluido
sozinho
mas todo o mundo incutido
em uma cabeça amorfa e delirante,
de um precipício infinito
onde caisse sem destino,
rebatendo em paredes que se partem
revelando outros vazios.
Cheio, abarrotado,
de vazio.

Posted at às 03:02 on 05/08/2014 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Véu

Como em um véu, caio sem ver o fim.
fluo em queda sutil,
cada vez mais tenra e frágil.
Brilha, ainda que seja escuridão,
Rasga-se em sons descontínuos;
seda, mar e céu:
Noite.

Vem a futil luz do sol,
Serenidade destronando-se em nuvens.
Os sons da cidade, as cores.
Sinto falta da queda,
Toco o chão e grito:
Lança-me em fuga pro céu,
Desmonta-me em noite, em escuro,
Invisível serei para seus olhos nus.

Quero perder a concretude do ser,
Explodir em vazio, num destroçar monocromático.
Um voar em queda e um mergulhar arrasado.

"Por quê todas as luas nunca caem do céu?"
Repousa na mente, inocula o vazio;
"Onde mais estão olhos que observam a noite?"
Depois, no céu que achou que estaria,
Recolhe-se sem conseguir se encostar, e pede:
"E o céu, para onde foi?"
Foi para trás, olhando perdido.

A vida é um nada. Sucessivo.

Posted at às 06:35 on 11/03/2014 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Nič

Sinto falta do frio do sereno,
do barulho do asfalto em atrito com os pneus.
Sinto falta do sol da manhã e do figado esmagado,
a felicidade firme dos amigos envolta.

Sinto falta dos beijos ao acaso,
do perfume desconhecido na minha blusa,
da noite exausta com o sono, não só tranquilo,
como ansioso pela manhã seguinte.

Mas o que mais falta não são momentos,
e sim o futuro, pois este me falta na mente,
o destino das coisas, o sentido das coisas,
antes tão simples e linear,
hoje sinto como se fosse uma estrada com fim
e fim este que quase posso tocar com as mãos.

Corta profundamente entre meus olhos
a faca da rotina e da pressão cotidiana
esta que me finca o cérebro o tempo inteiro,
me tirando até o sono, o sabor da comida.

Queria eu ainda ter o tempo que tinha,
para amar e para sofrer; tudo que tenho agora é
"tenhos" e "precisos", e todos urgentes ou vencidos.

Eu não precisava de tantas respostas, mas ainda tinha as mesmas dúvidas;
Só que não havia pressa, não havia medo, não havia o nada;
o nada te consome mais que tudo, te domina numa imensidão de vácuo.

Em minha mente posso ver duas cenas distintas:
Uma imensidão de branco, profundo, retido por paredes que quase posso ver,
mas muito bem imagino,
E uma pronfundeza negra, que se estende em todas as direções, e
apesar de serem as duas um nada monocolor e infinito, no negro de outrora
eu me sentia livre, a sensação era de cair sem volta, mas eu me sentia grande;
Já o branco de hoje me encarcera, me encolhe, me tortura,
como se claustrofobicamente me dominasse, e eu olhasse envolta, e só visse paredes
e isso me fizesse ficar completamente imóvel, contemplando o branco,
com medo de tudo diminuir ainda mais e dor me esmagar,
e ao invés do sereno cair no nada negro e profundo da imensidão do escuro,
eu me sinto com medo, preso e sem ter pra onde ir, nem pra onde olhar.

Posted at às 07:49 on 18/12/2011 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Rostos

Fotos antigas, de rostos jovens
Rostos agora mortos, deitados sobre a terra.
Mortos por causas perdidas,
Monstros invisíveis.

Rostos sem futuro, sem nunca serem adultos
Sem nunca serem velhos,
Sem nunca terem dores de idade,
Tosses de pigarro senil,
Lapsos de memória, surdez avançada.

Sem nunca ter os olhos marejados de saudade,
Os súbitos de loucura perdoáveis,
As palavras ininteligíveis e sábias;

Rostos sem o privilégio de serem adultos,
Com o espírito juvenil e as memórias de gargalhadas,
Mas rostos com o privilégio de serem eternamente lembrados
Como rostos jovens, rostos felizes e rostos esperançosos.
Rostos que riam a toa, faziam piada do próprio futuro
Sem saber o que ia acontecer,
A verdadeira vida bem vivida, mais que o ancião que acorda todos os dias esperando a própria morte.

Ela estava ali, todos os dias, mas em nenhum deles ela foi preocupação.
Rostos eternos, rosto eterno.

Posted at às 15:27 on 28/04/2011 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

1-11-22

Olhos, olhos turvos,olhos frígidos
Brancos puros, como entalhos invertidos,
Cadeias de olhares, olhares perdidos,
Em si internos, enquanto expostos, intrínsecos;

Escavados na carne tenra do interior de si,
Se abrem em pétalas negras, tardias, envergonhadas,
Mas demonstram, acima de tudo, a mágoa, a iminência,
Nas poucas frases ditas com sinceridade, precipitadas.

Aonde está aquela sombra, retida, quase inconsistente,
Que pairava e descansava por entre as fotos mais fúteis
E ao mais simples toque, se abria em carinho,
Compreensão, sinceridade, sabedoria e força?

Guarda em ti tua rigidez, na tua fragilidade,
E onde estiveres recorda tua saudade, guardada fielmente,
Divida com responsabilidade, e segue sempre em frente.

Se dói sua falta, me excita a possibilidade, agora ainda mais certa,
De te ter ao meu lado do outro lado - e de todos os lados possíveis.
Fica em paz, meu amigo, certo que tua lembrança só me traz felicidade.
E então faz aí tua morada, certo que tem vários corações como abrigo.

Posted at às 04:45 on 16/02/2011 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Amoxílico

Há algo por trás de nuvens e brisas finas,
Que esconde um dilúvio flutuante,
Montanhas, desertos e vulcões,
feitos de água, ar, suspiros e frustrações.

Em cada nuvem,
deve haver um pedaço de mim,
Lançado num olhar gelado e caído de dúvida,
a interrogação dos            que se entralaçam,
                        'como assim?'
Cada vez mais paralelos,
Num emaranhando, cada vez mais esganiçado,
Entregue as moscas, aos ratos,
                           Se estes alcançassem.

Nada além de um reflexo, incolor,
pitada de cinza pelo asfalto, a poça,
Deixa flutuar alguns olhares cabisbaixos.
Alguns lamentos silenciosos,
Na frequência certa, que deixa cair gotas,
Que se transformam em círculos perfeitos.
Essas pequenas perdas, transformadas em figuras
                   perfeitas ainda que simples,
Que distraem, por segundos.

O concreto e o meio-fio, outras testemunhas e cúmplices.
Sem falar do livro, da música, do papel e da caneta.
Todos tem um pedacinho das frustrações e dívidas
                          profundas e mentais                                                    
                          dividas.

O espaço a minha volta é único cúmplice,
Mas não único incentivador.
                         Nuvem.
                         Poça,
                         Concreto,
Do mais etéreo e mais discreto,
ao mais intenso e inquieto,
A inanimação me atrai,
Quando o que é vivo decepciona.

Posted at às 22:49 on 02/12/2010 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Desapego

Nunca pensei que uma parede pessasse tanto
Ancorada em mim, como se desabasse,
Com manchas de suor, do calor do corpo,
Amarelas pela tinta do vazio.

Sem saber onde parar na próxima estrada,
Numa esquina da minha história,
Me vejo sentado no acostamento, observando a velocidade dos carros.
Me atropelam, me esfacelam, esmagam meu rosto;
Mas não tiram de dentro de mim essa ânsia pela noite,
Essa ansiedade que toma conta de mim.
E o medo, da morte, que mesmo no pior dos sofrimentos me incita
A dor mais intensa, a derrota mais certa.

Balbucio apenas, sozinho não desperdiço palavras com as paredes,
Mas testemunha as faço das linhas que escrevo
E dos acordes que crio,
Únicas, abóboras, presentes na maior parte da minha vida.

Anseio em ouvir: "Eu estava do teu lado quando estava no meio do caminho"
Pois de meio termo nada parece esse momento,
Derradeiro por dentro, internamente terminante.
Desejo apenas que seja só um caminho, e não um instante,
Quero mais que tua face, quero teu sorrisso.

Deito, sonolento, e sonho, sonhos mais reais que o que vivo.
De cores mais vivas, e ao toque mais espessos,
Não se desvanecem no tempo, nem desaparecem à distância,
Mas constróem mais nuvens que esperanças.

Posted at às 22:55 on 24/09/2010 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Mare Tranquillitatis

Nas recordações da morte é que se revela o poder,
Do testemunho de tal ato incontestável,
A infindável profundidade do olhar moribundo,
Mais próxima da terra que qualquer vivente
Como se agarrando firme as rebarbas do mundo.

Ao pensar mais uma vez naquele dia, me vejo
Frente a mais poderosa das forças naturais,
E cá estou, sobrevivente,
Fortalecendo a minha alma em pensar
Quão perto cheguei da Morte, ali, frente à mim,
Naquele rosto caído com um olhar tão ausente.

Ao dispor do fim estamos vivos, seguindo
Em direção a infinitude, por um fim estimagtizado.
A cada dia do longe mais nos aproximamos,
Um distante ao alcance de um medo,
Monstruosa força que atinge a tudo.

Mistura precisa de matéria orgânica e espírito etéreo
Separa íntima a morte os véus que cercam
A dor, a fome, a sede e o frio;
Da transcedentalidade do amor, do medo e da angústia.

Inspira o sofrimento, acende a chama do medo,
Na escuridão do desconhecido mergulha o enfermo,
Afoga sem luz os olhos incrédulos e trêmulos.

Poderosa Morte que de nada se acovarda,
Perfura a carne e busca na enfermidade o espírito,
Arrasta e afunda a matéria na eternidade
Da existência inanimada.

Posted at às 01:46 on 01/09/2010 by Postado por Forbidden | 2 comentários   | Filed under:

Fá Sustenido

Nesse ar claustrofóbico da solidão
A qual me ponho em dispor total,
Ausências cada vez mais presentes reavivam
Sofrimentos e dores inconscientes,
Imagens de uma morte dolorosa, um olhar seco e vazio.
Quando as frases trabalhadas dos poemas fúnebres e antiquados
Me atingem em sua força magna,
Ajoelho-me no colapso do meu peito, nessa fisgada interminável
Essa ansiedade pelo vazio do futuro,
Todas as lágrimas que insistem em não cair,
Se acumulam em um coração demasiado cheio, de dúvidas e emoções,
Que balbucia batidas tímidas.
Ah, que saudade das batidas rápidas de quando eu te vejo.

Essa imagem tão torturante me atormenta.
Aquele olhar perdido em sofrimento,
Que aguardava o completo falecimento.
Pai, onde estavas naquele momento,
Se não perdido em trevas de tormento?
Dói, como se em carne minha, aquele olhar.
Me confortaria a certeza de um alívio teu.

Qual a ponteiro lento a caminhar
Pelo relógio na parede,
Vou tropeçando aos poucos,
Na minha própria reclusão.

Sinto falta, de amigos e da esperança idiota,
De receber ligações inesperadas às oito da manhã.
Sem pânico, é só mais uma recaída.

Posted at às 01:42 on 29/08/2010 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Far

Pai, cujas palavras rarearam no que antecedia tua morte,
Desejo uma casa pequena e bastante cheia, de amigos, amantes e palavras
Aonde quer que tu esteja, para que no dia em que nos encontremos
Eu te veja como sempre esteve, rodeado do desejo de mudança e do espírito de revolução.
Aposto que tu já te filiaste ao partido socialista do paraíso,
Ou mesmo desafiaste o governo do Plano Astral com teu dócil anarquismo.
Esse amor, que tu me ensinaste capaz de destruir as políticas mais revolucionárias;
Me ensinou a entender o teu carinho e teus propósitos.
Meus filhos hão de conhecer o avô, nos gestos e pensamentos que impregnaste em mim.

Só lamento que meus filhos nunca possam ouvir da tua boca as origens da vida e do universo,
Que me ensinaram a crer na verdade da ciência, da história e da linguagem.
Mas ciente da tua presença e do destino ao qual todos nos dirijimos,
Nenhuma lágrima derramo, mas nem por isso não me sinto sem uma parte de mim.
Não lamente-se pelo que eu sinto, pois que sinto no máximo o pesar de ter uma vida inteira pela frente até reencontra-lo.
De sofrimento e de tristeza, nada deixas,
Ainda assim, leva consigo a intolerância, unindo amigos e família nas memórias de sua representativa vida.

Desejo paz, e saudoso fico, mas não por perde-lo, pois o perder não perderei jamais.

Resta em um simples repousar de mãos, a lembrança constante.
Resta a sensação de que nada aconteceu, já que pouco havia antes.
Restam ossos sob a terra, e restam olhos sem teu semblante.

Adeus, pai.

8/8/10

Posted at às 01:26 on 12/08/2010 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Bêbados

Inspiro o ar etílico dos bafos da esquina,
Que se aproxima tão sedutora.
Revejo no copo a expressão intimista dos animais,
Que viviam em seu colo, me enciumando,
E entrelaço pernas em imundícies urbanas.

É no olhar embriagado que encontram conforto,
Na poesia das roupas rasgadas e do chão sujo.
Na fumaça que respiram,
na sede alcóolica que transformam em riso,
Nas nuvens de águas calmas em um céu de turbidez.

Apesar do beijo incômodo ao pé do ouvido,
E aquele ar impuro tomando conta dos meus pulmões,
O abraço puro e o olhar estrábico denunciam
A pureza de um agir inconsequente,
Que ciente de todas as punições trivias da existência
Totalmente responsável, prefere o tardio porre pubescente
Que só termina sob portas de latão e chuva fina.

Invejo essa alegria insensata,
Muito mais consciente que atitudes calculadas.
Aguardam a manhã fria confortáveis,
No berço pútrido do asfalto,
Gemem de gozo pelo acalento do torpor,
Que termina no raio de sol que os invade as pálpebras.

Felicidade do não-pensar, da ignorância voluntária,
Abraça a tua prole e dá-lhe abrigo.

Posted at às 01:47 on 03/08/2010 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Spigellia

Nos braços deconfortáveis do sofá,
Me deixo abraçar-me em sonhos insones
E delírios febris hipotérmicos.
Me deixo levar pelo álcool enebriante da condenação prévia,
Pelas palavras não ditas e pelas horas não dormidas.
Ah, minhas quatro e meia da manhã.
Insano, balbucio o que escrevo,
Declamo levemente xingamentos ao alheio;
Na ausência dos devidos alvos.
Alva é a noite, iluminada pela fluorescência das lâmpadas.
Desânimo é a energia das indormidas horas de sono,
E a insônia é apenas o corpo querendo me consolar.
Sinceramente, alegria resplandece.
As vezes me faltam erros como o de outrora
Saudade de machucar os sentimentos de pessoas irrelevantes.
Mas me conveceram que a felicidade é relativa.
E as notas de guitarra confortavelmente me aninham
Níquel bendito que tanto aturou minha apatia.
Antipático, não por opção.
Já me conveceram até de usar camisas brancas,
mas não de ver graça em ver o lado bom das coisas.
Nem de tratar pessoas como gente mesmo, ou fazer novos amigos.
Aliás, nem de beber responsavelmente.
Bebo, vomito, desmaio, me levanto e limpo tudo sozinho.
Com centavos juntados de trocos de ônibus.
Me entretenho com comerciais e livros de fantasia.
Perco a hora, falo besteira, me arrependo.
Não vai mudar nada.
Ninguém vai mudar, nada vai mudar;
Por que não anseio mudanças estéticas ou intelectuais
Queria mesmo era um novo contexto.
Mas eu sou feliz, só sou um adulto com sono.
Isto é, relativamente.

Posted at às 02:15 on 29/07/2010 by Postado por Forbidden | 3 comentários   | Filed under:

Poças

Poças de chuva me afogam,
E essas tempestades só encharcam à mim...
Concordo - seus lábios me confortam,
Até mesmo quando distantes dos meus - mas perto dos meus ouvidos;
No entanto, não paro de perder minhas meias
Inundadas de lama e areia suja,
Por pisar em poças esse tempo todo.

Existe um amontoado de água suja nesse caminho,
Coisas que me ferem, e que você é incapaz de enxugar.
São as feridas que as coisas simples me causam,
Estas que você acostumou a ignorar.
As mesmas que - irônicamente - te perfuram
Mas você sabe fingir que não dóem...
Eu ainda não aprendi a te usar como toalha,
Embora você seja um calor que evapora bastante lágrimas.

Só queria a certeza de um calor, ou mesmo um entardecer morno,
Que eu tivesse alguma certeza de perdurar.
Talvez eu queira algo naturalmente impossível...
Descompassar essa simetria da minha vida,
De noites, invernos e outonos rigorosos
Que se alternam com esses verões chuvosos.

Enfim, só quero meias secas e seus lábios aquecidos.

Posted at às 17:57 on 27/05/2010 by Postado por Forbidden | 6 comentários   | Filed under:

AQEVLDA6MLECCECOD6MA

O quadro com meia dúzia de fotos na frente da minha cama,
É bem o retrato de uma inutilidade inerente e atemporal.
Até o curativo no meu polegar mostra como facilmente me flagelo.
Um terminar apócrifo, invalidando uma suposta recuperação.
Injustiça, talvez, comigo. Mas não totalmente.
Injustiça é um dia ter achado que era o meu motivador maior,
Agora tão pequeno, e cada vez mais desmotivante.
Não textos de versos longos que vão diminuir o que eu sinto,
Que nem o tempo, nem a tal distância, esta que eu já estou bem acostumado,
Foram capazes de modificar. Nem a aparente impossibilidade foi capaz.
A teimosia por vezes idiota me fez chegar até aqui,
E espero eu, me faça enxergar todos os valores e não as mágoas.
E esse encerramento sem dono só me piora.
Noites que só são bem dormidas, por que as lágrimas são um bom travesseiro.
E as súplicas aos que nem entre nós estão, para que me mostrem uma - só basta uma - solução, me aliviam, de certa forma.
Sinto escorrer pelos meus braços uma completa inutilidade.
Daquelas que se tem quando algo imensamente grande escorre pelos dedos,
E vc fica parado, imóvel, tentando de todas as formas sair do lugar,
Mas cada vez mais afundando numa lama de futuros despedaçados.
Não consigo ver nenhum futuro, além de uma projeção repetitiva desse presente.
Mas, sendo isso o mais doloroso, eu já estou mais que acostumado (a te ver de longe, sendo "feliz" com outros lábios encostando nos seus e perdendo as esperanças totalmente, pra dois dias depois me pegar imaginando nós dois juntos, no meio da pior aula do período).
Enfim, vou partir deonde parei. Melhor, mas...
É óbvio que não era pra ser assim. Mas está sendo, então que seja.


Desculpem o poema mal feito.

Posted at às 11:31 on 19/05/2010 by Postado por Forbidden | 4 comentários   | Filed under:

Dezoito

Certos olhares superficiais e passados flutuam,
A uma hora e quarenta minutos.
Minha cabeça, deitada nesse banco desconfortável,
Faz-se redoma frágil, envenenada.
Minhas paredes se quebram com teu partir,
Se partem em cacos costuráveis.
Rasgo-me friamente, que nem percebes como
Sozinho, qualquer felicidade é efêmera demais...
Nenhuma conversa, nenhuma visita de amigo
Faz acabar a saudade e a noite,
Vazia de pessoas, de futuros e de sono.
Cheia de choros engolidos, músicas repetitivas e sorrissos não sorridos.
Finjo a mim mesmo dormir, e acordo 7 horas depois.
O que dói é ver que por mais que eu tente evitar
Acaba sempre ficando do jeito que não devia ser.
Não foi assim que planejei,
Escolhi os números para eles - e só eles -
Serem a parte que eu não saberia resolver...

Posted at às 23:41 on 29/04/2010 by Postado por Forbidden | 3 comentários   | Filed under:

Zniszczenie

Introduzida na carne, lacera e perfura
Com fome de nervos e podridão;
Devora a mente, provoca loucura.
Torna humanos cárceres de uma busca,
Rastejando sobre corpos e lama,
Em vão em direção à cura.

Fogo e poeira,
Que carregam entranhas dilaceradas pelo vento.
O senhor que descansava na cadeira,
Esperando a morte a levar tudo exceto sua carcaça.
Como se esperasse a vitória sobre a destruição,
Esta que consome e arruína, agindo em massa...

A cruz que em pé mantem-se sobre escombros
Sobre pedaços de carne e poeira de ossos;
É baluarte de um cenário devastado
Indicação do que um dia a houvera atacado,
As pedras que nela explodiram trazidas no ar
Deixaram marcas, cicatrizes de uma catástrofe.

Não vê-se mais terra, vê-se escombros
- escombros de pessoas, de concreto, de metal -
Vê se uma construção espontânea de restos
Uma engenharia natural, um amontoar de destroços
Em forma de prédio, em forma de rosto,
Em forma macabra que naquele momento,
Mais parecia pousada aconchegante e aquecida,
Frente ao frio impressionante que existia.

Esse vento, esse cheiro de morte;
O frio, e essas pedras no ar, que a pele arrassa;
Essas imagens de pessoas comuns, dilaceradas
Em sua mais fúnebre imagem, congelada
Intocada exceto pelo frio e pelo vento,
Manter-se-ão à eternidade, em seus últimos afazeres
Preocupações tão irrelevantes
Frente ao - fatal - ultimo instante.




Inspirado nas obras de Beksinki.

Posted at às 12:25 on 08/04/2010 by Postado por Forbidden | 4 comentários   | Filed under:

5 Cartas, 3 Meses e 2 Dias

Na Morte - do passado -
Mudanças nascem, crescem e proseperam
Sou cárcere de um transformação
Que aperta e esmaga, mastigando-me
Necessária, que meu coração sufoca
Mas evoluo, eu sou apenas você
Em tudo você, até nos sofrimentos que eu não enxergo
Essa angústia que vivencio, não vem de mim
Vem do teu choro, que não enxergo nem ouço
Mas sinto profundo em cada soluço
Me aperto nas paredes dessa angústia
Que pelo amor torna-se calabouço;

Essa vontade, esse desejo
Essa gana quase infantil pela felicidade
Que ignora qualquer desesperança,
E persiste mesmo na pior das tragédias
Esse Mago que me aninha em minha própria efemeridade,
Me consola, mesmo com uma alegria sem argumentos,
Uma saudade que faz-se esperança, uma nostalgia.
Que me esconde das trevas do sofrimento
Prévio, mesmo que o imediatado bata na porta.

E esse Julgamento, essas dúvidas
Essas promessas não cumpridas
Que faço pelo imediatismo do teu sorrisso.
Mas que me puxam pelo pescoço,
Como forca que era longa demais,
Quando me atiraram nesse precipício.

Me recluso a solidão,
Mesmo que seja compartilhada
Essa lanterna, Eremita
Que ilumina discretamente,
Não me aquece, mas me anima
Mostra as vagas pistas de um futuro;
Futuro que não precede uma ilusão,
nem vivencia o presente que será passado.
Me indica à reflexão, a individualidade
Paz que encontro por vezes na saudade
Pois nem sempre te rever é o melhor remédio;
Muitas vezes a cura é se ver na fragilidade
Perceber o quanto você é necessária,
Mesmo com todo demérito;

Por fim O Louco que se demora a aparecer,
A insanidade que equilibra as coisas,
A tranquilidade, que nada tem de louca,
Que surge da despreocupação
Da tranquilidade cega de confiança,
Esta mesma que perdi, e perdi dolorosamente.
A alegria me aguarda, e eu espero
A infantilidade despreocupada que tanto sentimos falta
O sentimento de segurança sem necessidade de provas.
Só quero a paz de viver sem me preocupar em te perder,
Em perder a paz, em perder qualquer coisa.
Mas sinto cada vez mais as coisas fugindo de mim.
No fim, sei que essa paz está em me desligar de tudo
Esquecer as propriedades e os infortúnios
E me concentrar nas alegrias irresponsáveis
De quem confia e ama.
Nunca perdi minha confiança - embora tenha motivos -
E nesse sentido sou tão irreponsavelmente feliz que me orgulho.
Está na hora de confiar mais, não em nós, mas simplesmente no futuro.

Posted at às 12:11 on 25/03/2010 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

120 Mil Metros

Só me afasto dos teus olhos,
Me encolho nos meus sonhos,
Que mais uma vez aparecem na minha porta.
Só quero poder acordar e ter certeza de te ver
Dormir com a certeza de acordar você.
Pelo menos no "sempre" ínfimo que é a vida,
Queria dormir com a certeza de que
A distância não nos distancia,
Os medos não nos apavoram,
E as fraquezas não nos enfraquecem.
Mas é tão difícil encontrar as amarras alguns dias...
Os nós que nos atam e seguram.
Aí é quando eu vejo teu rosto,
Sem desviar o olhar, me abstrai até de mim
Eu me torno apenas você, e só você.
Tuas palavras me devoram,
Teu espírito me consome,
Me deixo ser parte da tua alma,
Parte do teu coração.
Mas são afiadas as facas da incerteza
Esta que me afunda nas asas da fraqueza;
Tento não me desviar,
Não deixar de te olhar nos olhos.
Mas meu olhar as vezes cai,
As vezes é difícil sustentar as pálpebras.
Mas nunca deixei de sonhar, nunca deixei de acreditar.
Se deixei algo, foi de evitar pensar em você.

Posted at às 17:41 on 07/03/2010 by Postado por Forbidden | 4 comentários   | Filed under:

Faiblesse

Seus dedos que me tocam a face
Arrastam palavras soltas nos meus lábios
Meus medos somem nos teus abraços
Divago inconsciente na profundidade do teu olhar
Esvazio minha mente na tua pele leve,
Que flutua nos meus braços e se enlaça,
Nos beijos que precipito em teu rosto.

Gentilmente, se esbarra
Inquietações aquietadas por palavras simples;
Eu-te-amos em forma de dentadas,
Marcas que (dóem, porém) me lembram do teu sorrisso
- ainda que persistam em doer -
e nessa recordação encontro abrigo,
Quando de teus olhos, mesmo pouco, me distancio.

Nós que atam nós que amamos
Chama que ilumina olhos que andavam em prantos;
O timbre do silêncio é o da sua voz;
Minha mente, mesmo quando vazia
Tem teu nome escrito por todos os cantos.

A cada beijo de despedida,
Mais aguardado se torna o beijo de chegada.
A cada centímetro que tomo em sua vida,
Mais sinto teu coração como minha própria morada.

Amo e amo sem poréns.
Meu coração ao ouvir sua voz, se arrebata
Te olha e discerne de todo outro alguém
Se afoga nos teus olhos,
Se incendeia nas tuas palavras,

Amo e amo sem amarras, amo e sem limites.

Posted at às 17:36 on by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Combustão/Momentos

Arde o peso das grades sem peso,
Das chamas sem calor, das facadas sem dor
Pernoitam ao meu lado os mesmos medos,
As mesmas fúrias e os mesmos desejos
Que és, que me fere tanto sem pensar
Com essa sua confusão que combusta no ar,
Esse espinho que perfura indolor
A carne que beijas sem sentir exatamente amor?

Arrasto meu coração sobre as farpas do teu corpo,
Tento buscar nos meus sonhos o amor que falta de ti
Tento encontra-lo em palavras já ditas,
Busco razão no tempo e na esperança em si;
Esta que me trouxe até agora impulsionada
Pela combustão do que sinto,
Neste motor - envelhecido e enferrujado - alojado em meu peito;
Sinto sua falta, ainda que minto
Não sinto mais o mesmo que sentia,
Mas sofro a cada partida sua, a cada lágrimas, a cada despedida.

Sinto, mas nem sinto mais
Como ferida que se anestesia de tanta dor.
Me penetram as armas de todos os lados
Me ferem as palavras de todas as bocas,
Tento não ter suas atitudes como loucas,
Embora sucumba lentamente ao senso comum
Deito minhas armas no chão
E simplesmente aguardo o fim do espetáculo
Evitando sentir todos os beijos como sendo apenas mais um
Assisto todo o tempo passar, todo o tempo
E não me arrependo, embora as vezes tema por temer
Brigas, medo e insegurança,
Como eu queria que fosse diferente,
Se sempre o foi assim, em sua antiga insignificância?

Me deito do teu lado e abraço teu corpo sonolento,
Amo cada parte do teu corpo, de ti sou alimento,
Que devoras sem cessar nenhum momento
Sem parar um instante, nem que te faltasse alento,
Me sinto como se procurasse falhas no firmamento,
Onde quero encontrar erros, talvez apresse demais o tempo,
Impaciente, vejo no leve duvidar razão de sofrimento;
Aprender a crer em nós deve ser teu maior ensinamento
Costura minha alma, teus beijos são meus remendos
Como é estúpido duvidar de todo esse sentimento;

Palavras que ferem, mas desferem, saindo da mesma boca
Que me beija, que me acarinha os lábios
Espero o tempo passar, e que passando traga paz,
E tranquilidade, força intensa que acalenta o vassalo mais tenaz
Me aninho no teu colo e não me preocupo mais.

Posted at às 03:35 on 10/02/2010 by Postado por Forbidden | 2 comentários   | Filed under:

Vômito

Eu simplesmente tenho a esperança,
que te abraçando bem forte, a ponto de não discernir
O meu corpo do teu,
Algo te faça mudar, e entender que teu sofrer
é meu morrer de amor, meu morrer de dor, meu morrer.

Grito, te beijo e te abraço,
Sem forças nem formas de lutar
Contra você própria, enquanto você se inimiza

Esfacelo minhas próprias palavras nos teus lábios
Percorro teu corpo a procura de tuas brechas,
Tua beleza que te cega, tua bondade que te prega
À inveja, esta que te massacra,
Nutro repulsa e ódio, marca nefasta de medo,
Garras afundadas no sebo das lágrimas secas no teu rosto
Maquiagem borrada de mentiras auto-contadas,
Inverdades que te dizem e tu tomas como verdade...

Tuas palavras que me ferem por me conscientizar que te feres toda noite,
Quanto te deixo e vou pra casa, pra dormir lembrando da tua voz,
Mal sabes que rasgo meu coração em lágrimas
Por imaginar a tua falta, a tua dor, as tuas mágoas

Solução, eis a fé que nutre meu coração
Meu peito que chora escondido do teu olhar,
Das mãos que te acariciam e da boca que te faz rir
Que depois secam lágrimas e sentem o gosto salúbre da tristeza
Como pode ser tão difícil enxergar essa óbvia beleza?
Dói, fere, penetra na carne, remoe minha alma,
A negação tão dolorosa de verdades indubitáveis,
Substituídas pela crença nas mentiras perversas daqueles que te invejam...

Posted at às 02:54 on 04/02/2010 by Postado por Forbidden | 3 comentários   | Filed under:

Deixo

De tão amargas vestes caminha a angústia
Envenenada com as pestes da solidão
Minha mente embebe-se no teu abraço e se deleita nos teus lábios
Que me enebria de pensar na desgraça que nos rodeia...

Teu futuro me induz o pensamento,
Suas águas turvas são um redemoinho de momentos,
De assuntos que decoram amadurecimentos
Cada palavra - uma prova de amor e entendimento...

Ainda que as farpas da ruína me persigam
Desde que teu abraço me acompanhe,
Nada temo se não de teus braços perder abrigo

Ainda que soe incerto, que presinta tristeza,
Me anestesia teu olhar, teus gestos, tuas palavras...
Deixo-me levar, deixo-me sugar, deixo-me perder...

Posted at às 03:39 on 27/12/2009 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

A mesa.

Olhar.
Pra baixo.
A mesa.
Branca.
Farelos.
A chuva.
Fina.
Nuvens.
Música.
Barulho de
Chuveiro.
Tarde.
A mesa.
Branca.
Farelos.
A chuva.
Fina.
Nuvens.
Música.
Barulho de
Chuveiro.
Coceira.
Ocúlos escorregando.
Dor nas costas.
Sujeira no canto.
Dor no pescoço.
Dor de cabeça.
Unhas.
Sujas.
A mesa.

Posted at às 17:11 on 05/12/2009 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Enésima

Que dor é essa que consome meu peito,
Me possui em pele, alma e respeito
Me destrua, penetra incisiva meu seio
Me consome a comer por dentro,
Temeroso, mas não recuo, rateio
Te persigo em fuga, teu colo tateio
Me afogo em águas turvas, me domina o medo;

Essa agonia que me consome,
A dor que derruba meus olhos,
Me lambe a cara o abutre do luto
Abre meu corpo e o coze disforme,

A falta de sentido ainda há de me matar
Tristeza essa que não para de me esmagar
O tempo já se tornou irrelevante,
A dor é tão profunda que me sinto ao natural...
Mas assim, companheira constante,
Ela me fere e me destrói o âmago carnal
Arrebento-me em lagrimas que não fazem cessar o mal
Me lavo o corpo em choro desesperado,
Antes doer de tua falta,
Que dor assim, sem nem querer te ter a meu lado,
Ah, a saudade era tão mais macia...
Como dói sentir a tua mão na minha...
Dói te olhar e sentir minha vida tão vazia...

Dor que me deforma,
Que me corta, que me esfola,
Que me encerra apertado,
Nas falta de futuro que me submete o teu estado...

Posted at às 21:26 on 29/11/2009 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Pra Que Falar

A chuva fina que me fere a pele,
Não consigo sentir, com você do meu lado
O copo de cerveja transbordar na toalha
Não sinto queimar meus dedos na brasa do cigarro
Não ouço me chamarem aos berros
Negligencio a conta, os números, os trocados
Levanto mudo e te espero
Até sua casa ando e te abraço
Te espero subir a rua sozinho e quieto.

E isso tudo é, por que você é, pra mim
Um jardim de mágoas,
Que eu semeei a dois anos atrás
E vou colhendo em cada palavra sua.

Pra que falar, se você me destrói a cada gesto
Se me corta os pulsos quando corta os teus
Me mato por pensar em como sentiria tua falta,
Mas de que sentiria falta, de ouvir te dizer
Que mais te feri te amando do que te feriram matando teu filho?
Como você acha que eu me sinto,
Sendo meus pecados maiores que os de quem te traiu?
Eu devo ter te traído bem mais, mentido pra mim mesmo
Tentando consertar o erro de te amar,
Sendo que eu deveria desde o início ter admitido
Que eu nunca foi digno de ser retribuído
Mas vendo quem você ama,
Mister que eu me rebaixasse muito para que me amasse...

Como me iludi, achando que você realmente ainda confiava em mim
Que só dizia verdades, quando dizia que eu realmente te importava algo
Eu te decepcionei, eu te enganei...
Eu te maltratei por te ver como culpada
quando finalmente me conveci que tinha errado,
Você parou de me dizer que ainda me amava...
O que eu tenho que fazer, te trair, cuspir na cara dos outros
Te fazer mais mal que você poderia fazer a si própria?

Me esconda a sua vida
Por que ela me faz me arrepender de gastar tantas noites,
de chorar cada lágrima...
E se tem algo que me faz ter certeza de que eu era o idiota que tu me acusas,
É lembrar de um dia ter te chamado de "perfeita".

Posted at às 19:55 on by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Noite

A doença que me consome, perfura minha alma,
Me corta o ventre com faca pontiaguda em febre.
Minhas lágrimas dão de comer aos vermes
Que as letras do teu nome corróem.

Correntes que prendem erros ao presente
Mentiras, justificadas talvez, destróem
A dor que senti vejo de volta inerente
Minhas asas feridas sucumbem e somem.

Lágrimas que eu pensei nunca mais despejar...
Maldito presente que não me dá futuro!
Me machuca simplesmente não ter o que contestar...

É sua vida, e eu tenho de me contentar...
Errei, menti, enganei.. dizendo "te amo, mas nos destruo"
Mas você acha que não sofri o suficiente por te amar?

Posted at às 03:55 on by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Frio

Sinto um frio estranho,
Numa tarde de calor abrasivo
Ao meu lado o copo vazio
O perambular das formigas,
Caço ar para cantar refrões pequenos,
Tusso três, quartro palavras e então silencio
Levanto, sinto em mim um peso descomunal
Deixo a música tocando,
Tomo mais um remédio.
Me abraço e me sinto abraçar o mal
Garreia minhas costas, minha garganta
Me sufoca e segura minhas pernas,
Exibe a face e meu peito arranca
Estala minhas costelas enquanto as quebra;
E eu imóvel, com frio, e no sol.
Versos melódicos me acariciam
Deixo meus olhos fecharem e balbucio
Duas palavras que não consigo explusar de mim
Cato roupas pelo chão, vejo o sol aparecer novamente
Seco o chão, as formigas sumiram tão de repente
Sinto frio que é a falta e ao mesmo tempo tua presença aqui
Sem cobertas, de peito aberto sob a janela
O Sol tímido, sucumbe ao vento pálido
Minha garganta se fere de tentar cantar.
Frio que me toma por tua falta,
Me passa os dedos de leve,
Me arrepia e me faz tremer
Sinto tua falta tanto que meu corpo se recusa a se aquecer
Só se deixa esquentar com teus braços,
O sol se humilha, e mais uma vez some.
E eu fico tremendo, sozinho com o copo vazio
Tomo mais um remédio, sinto cada vez mais frio
Frio que só me dá mais frio...
Frio.

Posted at às 11:52 on 22/11/2009 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Lençol

Nuvens saturadas no céu
Um colchão esticado, um lençol dividido
Eu abraço não dado, um olhar indeciso
As flores se curvam na chuva

Minha alma em paz,
Repousando no teu peito
Mesmo que meu corpo deite ao teu lado
Sem esboçar o menor movimento,
Minha mente está abraçada contigo,
Mesmo que meus olhos nem te toquem a face
Nossos pés entrelaçados são a prova
Que nosso espírito se une, mesmo sem contato da carne

Não são as perguntas que te trazem aqui...
São as respostas que te fogem a mente perto de mim
São elas que nos ferem,
Então nos abrigamos das dores no abraço breve,
Que é como solista num coral cujas vozes são a chuva
Apenas diga que sou eu quem te guia pela névoa turva...

Posted at às 09:36 on 16/11/2009 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Execução

A cada dia em que essa agonia me sufoca,
Meu peito a tristeza nos dedos encerra
Corrói os meus sonhos e mágoas desterra,
Atrofia minha mente em úlcera nervosa,
Estripa às formigas minha alma leprosa,
Cede aos vermes em pedaços minhas telas
E devora meu corpo como fosse uma fera.

O quanto mais, me pergunto:
Seria possível sonhos suportarem este ataque?
Se nem eu próprio mais reconheço minha face,
Deformada de cefaléias e chagas,
Que se acumulam dando de comer às pragas,
Que habitam essa chuva torrente e nefasta,
Que chamo de vida, que chamo de casa?

Só me resta esperar que meus esforços
Rendam-me mais que decepções e escombros
Alimento-me de restos de felicidades passadas,
As migalhas do presente não mais me saciam a fome;
Deixo-me levar por incerta cartada
Que me deu breve otimismo citando teu nome,

Tonto e enjoado,
Neusante do fedor das moscas na carne podre;
Me sigo próprio às entranhas arrastando
Caminhando lentamente com o estomâgo sangrando
Rodeado de abutres famintos em rebuliço insano,
Dos que acontecem antes do jantar humano,
Mas que entre os abutres comemora a carniça
Que breve se mostra a ruir inteiriça,
Antevendo o banquete a servir a corja inimiga.

Posted at às 13:30 on 10/11/2009 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

07:46

Pássaros que voam sem rumo,
Em direção ao inalcançável
Me retiram as forças em suspiro
Dilaçeram os laços do palpável

Meus braços ao redor de ti,
E teus olhos, cobertos pelo teu cabelo,
São como me marcassem a ferro em brasa:
Eis tua vida, eis tua amada;

E eu me culpo, te anistio
Mas te amar é cada vez mais sufocante
Engulo as lágrimas e penso em ti

Se houvesse uma forma de te ver sem doer assim,
Eu pegaria em seu braço e nunca mais te soltaria;
Entraria em tua alma de tanto olhar-te os olhos,
Tatearia-te de leve como se quisesse te cobrir...

Só desejo amar sem dor sentir
Que faça bem apenas,
Que não me desligue das minhas obrigações
E que na medida do seu tamanho fizesse-me feliz...

O que seria pra sempre.

Posted at às 07:45 on 05/11/2009 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

(...)

Se meu peito pudesse te falar cada palavra,
Ou mesmo ainda se houvessem palavras para tal;
Se ele descrevesse em capítulos minha angústia
Em ver teu pulso marcado cicatrizante...

Teu amar por mim seria testado,
Você jamais faria isso de novo,
Por medo de me ter calado,
Sob a terra que nesse dia você teria se atirado...

Eu te amo, por mais que eu não seja o bastante sábio pra demonstrar...
Eu abriria mão de tudo por ti...
Não me mate por matar-te, você mataria ao menos minha vontade de existir...
Me encarceraria num constante te procurar e não te ter...
Que medo eu tenho de um dia te perder,
Que me congela nesse instante de ser o que devo...
Se meu peito pudesse te contar a dor que sente
Ao relembrar a imagem de teu pulso fino...

Eu temo por você longe de mim...
A cada vez que me despeço, sinto-me rasgar
E agora ainda temo, pelos motivos que fazem-te sangrar...
Como eu queria poder estar perto de ti quando fizeste o que fez...
Como me dói a imagem do que poderia ter acontecido,
Me mato só por pensar no teu suicídio...

Eu imploro que nunca mais repita...

Posted at às 00:22 on 03/11/2009 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Ânsia

*Os artistas que se dependuram nos arietes das angústias
Observando a fraca carne em pútrida lamúria
Desprendem-se em vermes que lhe consomem a carne escura
Remoendo-se em dores que a própria mente estupra;

Estalando como juntas pobres de cálcio
Ossos que esfarelam como em tétano agonizante
Te persigo como andando a pés descalços
Ouvindo tuas afrontes que me clamam por infante;

Fraco sou eu de ti diante
Realizo que minhas ações não passam de palhaçadas,
Que me deixam cada vez mais de mim distante...

Queria eu que fosse menos variante,
Que minha personalidade predominasse às minhas burradas,
Mesmo ciente que me chamarias de farsante...

Posted at às 22:33 on 02/11/2009 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Rápido

Inútil - Desagregado de poder sentir;
Minhas palavras são o ato de repetir
As mesmas frases que eu cansei de dizer,
Por que simplesmente é impossível?

Se eu sou merecedor de uma amizade tão forte,
O que há de errado em mim pra que eu não seja de um amor?
Inevitavelmente penso na minha timidez, na lerdeza de pensamento,
Na imbecilidade de pensar em uma coisa só a todo momento,

Nas frases malditas que te fizeram pensar que eu não te amava mais
No beijo infeliz que nos partiu em dois
Penso que mesmo que compartilhemos a alma,
Seu coração estará eternamente distante do meu...

Posted at às 07:47 on 15/10/2009 by Postado por Forbidden | 1 comentários   | Filed under:

Tortura

Meus olhos ardem de lágrimas não choradas
Da saudade que eu prefiro não mostrar correspondida
Minhas fracas veias o pobre peito esmaga
Bombeando a cada segundo dores mais malditas

Meu sangue é rio poluido,
Cheio do lixo da mágoa e da mentira
Meu corpo é lento e enegrecido;
Meu coração se endurece a cada dia;

Corpos jazem em frente meus versos
Lambendo as feridas e os remendos dos meus lábios
Verdades com as entranhas expostas
Que você estripou uma a uma com suas palavras

Rasgo a fraqueza enterrando-a em águas turbulentas
Todas as ruínas e colunas
Que mantinham em pé o sentimento

Mas que cruel é o meu amor;
Que se move e se ergue mesmo esquartejado;
Seus olhos e atos são como melodia hedionda
Que fere meus sentimentos e devora minha vida
Que seria de mim ao teu lado,
Senão vítima indefesa à tortura condenada,
Te ouvir e te ver, te beijar com medo de te perder
Perfuraria meus olhos por te ver distante,
Arrancaria meus braços por tornarem-se inúteis na tua falta
Seria como ter em mim um espinho penetrante,
Que entraria em minha pele pra cortar a minha alma...

Posted at às 19:53 on 12/10/2009 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under:

Lichtgeist

Em que escoam os versos
Nas fendas das cicatrizes abertas,
Você é o que me faz entender o que é certo;
Me afasta das minhas próprias trevas;

Eis teus olhos e teus lábios que se manifestam
Sinto que mais na minha presença,
Provocam e tranquilizam ao mesmo tempo
Ferem aliviando a dor;
Sinto longe de ti como em uma leve tormenta
Me confundindo felicidade e amor;
Partindo os pecados que ainda matenho.

Não são precisos linhas longas ou versos rebuscados;
Mas entre nós nunca são poucas as palavras e os atos;
Só são espessos e distantes; mister sejam mais estreitos
Mister sejam mais constantes, mister sejam mais intensos.

Posted at às 01:20 on 25/09/2009 by Postado por Forbidden | 0 comentários   | Filed under: