Introduzida na carne, lacera e perfura
Com fome de nervos e podridão;
Devora a mente, provoca loucura.
Torna humanos cárceres de uma busca,
Rastejando sobre corpos e lama,
Em vão em direção à cura.
Fogo e poeira,
Que carregam entranhas dilaceradas pelo vento.
O senhor que descansava na cadeira,
Esperando a morte a levar tudo exceto sua carcaça.
Como se esperasse a vitória sobre a destruição,
Esta que consome e arruína, agindo em massa...
A cruz que em pé mantem-se sobre escombros
Sobre pedaços de carne e poeira de ossos;
É baluarte de um cenário devastado
Indicação do que um dia a houvera atacado,
As pedras que nela explodiram trazidas no ar
Deixaram marcas, cicatrizes de uma catástrofe.
Não vê-se mais terra, vê-se escombros
- escombros de pessoas, de concreto, de metal -
Vê se uma construção espontânea de restos
Uma engenharia natural, um amontoar de destroços
Em forma de prédio, em forma de rosto,
Em forma macabra que naquele momento,
Mais parecia pousada aconchegante e aquecida,
Frente ao frio impressionante que existia.
Esse vento, esse cheiro de morte;
O frio, e essas pedras no ar, que a pele arrassa;
Essas imagens de pessoas comuns, dilaceradas
Em sua mais fúnebre imagem, congelada
Intocada exceto pelo frio e pelo vento,
Manter-se-ão à eternidade, em seus últimos afazeres
Preocupações tão irrelevantes
Frente ao - fatal - ultimo instante.
Inspirado nas obras de Beksinki.
Zniszczenie
5 Cartas, 3 Meses e 2 Dias
Na Morte - do passado -
Mudanças nascem, crescem e proseperam
Sou cárcere de um transformação
Que aperta e esmaga, mastigando-me
Necessária, que meu coração sufoca
Mas evoluo, eu sou apenas você
Em tudo você, até nos sofrimentos que eu não enxergo
Essa angústia que vivencio, não vem de mim
Vem do teu choro, que não enxergo nem ouço
Mas sinto profundo em cada soluço
Me aperto nas paredes dessa angústia
Que pelo amor torna-se calabouço;
Essa vontade, esse desejo
Essa gana quase infantil pela felicidade
Que ignora qualquer desesperança,
E persiste mesmo na pior das tragédias
Esse Mago que me aninha em minha própria efemeridade,
Me consola, mesmo com uma alegria sem argumentos,
Uma saudade que faz-se esperança, uma nostalgia.
Que me esconde das trevas do sofrimento
Prévio, mesmo que o imediatado bata na porta.
E esse Julgamento, essas dúvidas
Essas promessas não cumpridas
Que faço pelo imediatismo do teu sorrisso.
Mas que me puxam pelo pescoço,
Como forca que era longa demais,
Quando me atiraram nesse precipício.
Me recluso a solidão,
Mesmo que seja compartilhada
Essa lanterna, Eremita
Que ilumina discretamente,
Não me aquece, mas me anima
Mostra as vagas pistas de um futuro;
Futuro que não precede uma ilusão,
nem vivencia o presente que será passado.
Me indica à reflexão, a individualidade
Paz que encontro por vezes na saudade
Pois nem sempre te rever é o melhor remédio;
Muitas vezes a cura é se ver na fragilidade
Perceber o quanto você é necessária,
Mesmo com todo demérito;
Por fim O Louco que se demora a aparecer,
A insanidade que equilibra as coisas,
A tranquilidade, que nada tem de louca,
Que surge da despreocupação
Da tranquilidade cega de confiança,
Esta mesma que perdi, e perdi dolorosamente.
A alegria me aguarda, e eu espero
A infantilidade despreocupada que tanto sentimos falta
O sentimento de segurança sem necessidade de provas.
Só quero a paz de viver sem me preocupar em te perder,
Em perder a paz, em perder qualquer coisa.
Mas sinto cada vez mais as coisas fugindo de mim.
No fim, sei que essa paz está em me desligar de tudo
Esquecer as propriedades e os infortúnios
E me concentrar nas alegrias irresponsáveis
De quem confia e ama.
Nunca perdi minha confiança - embora tenha motivos -
E nesse sentido sou tão irreponsavelmente feliz que me orgulho.
Está na hora de confiar mais, não em nós, mas simplesmente no futuro.
120 Mil Metros
Só me afasto dos teus olhos,
Me encolho nos meus sonhos,
Que mais uma vez aparecem na minha porta.
Só quero poder acordar e ter certeza de te ver
Dormir com a certeza de acordar você.
Pelo menos no "sempre" ínfimo que é a vida,
Queria dormir com a certeza de que
A distância não nos distancia,
Os medos não nos apavoram,
E as fraquezas não nos enfraquecem.
Mas é tão difícil encontrar as amarras alguns dias...
Os nós que nos atam e seguram.
Aí é quando eu vejo teu rosto,
Sem desviar o olhar, me abstrai até de mim
Eu me torno apenas você, e só você.
Tuas palavras me devoram,
Teu espírito me consome,
Me deixo ser parte da tua alma,
Parte do teu coração.
Mas são afiadas as facas da incerteza
Esta que me afunda nas asas da fraqueza;
Tento não me desviar,
Não deixar de te olhar nos olhos.
Mas meu olhar as vezes cai,
As vezes é difícil sustentar as pálpebras.
Mas nunca deixei de sonhar, nunca deixei de acreditar.
Se deixei algo, foi de evitar pensar em você.
Faiblesse
Seus dedos que me tocam a face
Arrastam palavras soltas nos meus lábios
Meus medos somem nos teus abraços
Divago inconsciente na profundidade do teu olhar
Esvazio minha mente na tua pele leve,
Que flutua nos meus braços e se enlaça,
Nos beijos que precipito em teu rosto.
Gentilmente, se esbarra
Inquietações aquietadas por palavras simples;
Eu-te-amos em forma de dentadas,
Marcas que (dóem, porém) me lembram do teu sorrisso
- ainda que persistam em doer -
e nessa recordação encontro abrigo,
Quando de teus olhos, mesmo pouco, me distancio.
Nós que atam nós que amamos
Chama que ilumina olhos que andavam em prantos;
O timbre do silêncio é o da sua voz;
Minha mente, mesmo quando vazia
Tem teu nome escrito por todos os cantos.
A cada beijo de despedida,
Mais aguardado se torna o beijo de chegada.
A cada centímetro que tomo em sua vida,
Mais sinto teu coração como minha própria morada.
Amo e amo sem poréns.
Meu coração ao ouvir sua voz, se arrebata
Te olha e discerne de todo outro alguém
Se afoga nos teus olhos,
Se incendeia nas tuas palavras,
Amo e amo sem amarras, amo e sem limites.
Combustão/Momentos
Arde o peso das grades sem peso,
Das chamas sem calor, das facadas sem dor
Pernoitam ao meu lado os mesmos medos,
As mesmas fúrias e os mesmos desejos
Que és, que me fere tanto sem pensar
Com essa sua confusão que combusta no ar,
Esse espinho que perfura indolor
A carne que beijas sem sentir exatamente amor?
Arrasto meu coração sobre as farpas do teu corpo,
Tento buscar nos meus sonhos o amor que falta de ti
Tento encontra-lo em palavras já ditas,
Busco razão no tempo e na esperança em si;
Esta que me trouxe até agora impulsionada
Pela combustão do que sinto,
Neste motor - envelhecido e enferrujado - alojado em meu peito;
Sinto sua falta, ainda que minto
Não sinto mais o mesmo que sentia,
Mas sofro a cada partida sua, a cada lágrimas, a cada despedida.
Sinto, mas nem sinto mais
Como ferida que se anestesia de tanta dor.
Me penetram as armas de todos os lados
Me ferem as palavras de todas as bocas,
Tento não ter suas atitudes como loucas,
Embora sucumba lentamente ao senso comum
Deito minhas armas no chão
E simplesmente aguardo o fim do espetáculo
Evitando sentir todos os beijos como sendo apenas mais um
Assisto todo o tempo passar, todo o tempo
E não me arrependo, embora as vezes tema por temer
Brigas, medo e insegurança,
Como eu queria que fosse diferente,
Se sempre o foi assim, em sua antiga insignificância?
Me deito do teu lado e abraço teu corpo sonolento,
Amo cada parte do teu corpo, de ti sou alimento,
Que devoras sem cessar nenhum momento
Sem parar um instante, nem que te faltasse alento,
Me sinto como se procurasse falhas no firmamento,
Onde quero encontrar erros, talvez apresse demais o tempo,
Impaciente, vejo no leve duvidar razão de sofrimento;
Aprender a crer em nós deve ser teu maior ensinamento
Costura minha alma, teus beijos são meus remendos
Como é estúpido duvidar de todo esse sentimento;
Palavras que ferem, mas desferem, saindo da mesma boca
Que me beija, que me acarinha os lábios
Espero o tempo passar, e que passando traga paz,
E tranquilidade, força intensa que acalenta o vassalo mais tenaz
Me aninho no teu colo e não me preocupo mais.
Vômito
Eu simplesmente tenho a esperança,
que te abraçando bem forte, a ponto de não discernir
O meu corpo do teu,
Algo te faça mudar, e entender que teu sofrer
é meu morrer de amor, meu morrer de dor, meu morrer.
Grito, te beijo e te abraço,
Sem forças nem formas de lutar
Contra você própria, enquanto você se inimiza
Esfacelo minhas próprias palavras nos teus lábios
Percorro teu corpo a procura de tuas brechas,
Tua beleza que te cega, tua bondade que te prega
À inveja, esta que te massacra,
Nutro repulsa e ódio, marca nefasta de medo,
Garras afundadas no sebo das lágrimas secas no teu rosto
Maquiagem borrada de mentiras auto-contadas,
Inverdades que te dizem e tu tomas como verdade...
Tuas palavras que me ferem por me conscientizar que te feres toda noite,
Quanto te deixo e vou pra casa, pra dormir lembrando da tua voz,
Mal sabes que rasgo meu coração em lágrimas
Por imaginar a tua falta, a tua dor, as tuas mágoas
Solução, eis a fé que nutre meu coração
Meu peito que chora escondido do teu olhar,
Das mãos que te acariciam e da boca que te faz rir
Que depois secam lágrimas e sentem o gosto salúbre da tristeza
Como pode ser tão difícil enxergar essa óbvia beleza?
Dói, fere, penetra na carne, remoe minha alma,
A negação tão dolorosa de verdades indubitáveis,
Substituídas pela crença nas mentiras perversas daqueles que te invejam...
Deixo
De tão amargas vestes caminha a angústia
Envenenada com as pestes da solidão
Minha mente embebe-se no teu abraço e se deleita nos teus lábios
Que me enebria de pensar na desgraça que nos rodeia...
Teu futuro me induz o pensamento,
Suas águas turvas são um redemoinho de momentos,
De assuntos que decoram amadurecimentos
Cada palavra - uma prova de amor e entendimento...
Ainda que as farpas da ruína me persigam
Desde que teu abraço me acompanhe,
Nada temo se não de teus braços perder abrigo
Ainda que soe incerto, que presinta tristeza,
Me anestesia teu olhar, teus gestos, tuas palavras...
Deixo-me levar, deixo-me sugar, deixo-me perder...
A mesa.
Olhar.
Pra baixo.
A mesa.
Branca.
Farelos.
A chuva.
Fina.
Nuvens.
Música.
Barulho de
Chuveiro.
Tarde.
A mesa.
Branca.
Farelos.
A chuva.
Fina.
Nuvens.
Música.
Barulho de
Chuveiro.
Coceira.
Ocúlos escorregando.
Dor nas costas.
Sujeira no canto.
Dor no pescoço.
Dor de cabeça.
Unhas.
Sujas.
A mesa.
Enésima
Que dor é essa que consome meu peito,
Me possui em pele, alma e respeito
Me destrua, penetra incisiva meu seio
Me consome a comer por dentro,
Temeroso, mas não recuo, rateio
Te persigo em fuga, teu colo tateio
Me afogo em águas turvas, me domina o medo;
Essa agonia que me consome,
A dor que derruba meus olhos,
Me lambe a cara o abutre do luto
Abre meu corpo e o coze disforme,
A falta de sentido ainda há de me matar
Tristeza essa que não para de me esmagar
O tempo já se tornou irrelevante,
A dor é tão profunda que me sinto ao natural...
Mas assim, companheira constante,
Ela me fere e me destrói o âmago carnal
Arrebento-me em lagrimas que não fazem cessar o mal
Me lavo o corpo em choro desesperado,
Antes doer de tua falta,
Que dor assim, sem nem querer te ter a meu lado,
Ah, a saudade era tão mais macia...
Como dói sentir a tua mão na minha...
Dói te olhar e sentir minha vida tão vazia...
Dor que me deforma,
Que me corta, que me esfola,
Que me encerra apertado,
Nas falta de futuro que me submete o teu estado...
Pra Que Falar
A chuva fina que me fere a pele,
Não consigo sentir, com você do meu lado
O copo de cerveja transbordar na toalha
Não sinto queimar meus dedos na brasa do cigarro
Não ouço me chamarem aos berros
Negligencio a conta, os números, os trocados
Levanto mudo e te espero
Até sua casa ando e te abraço
Te espero subir a rua sozinho e quieto.
E isso tudo é, por que você é, pra mim
Um jardim de mágoas,
Que eu semeei a dois anos atrás
E vou colhendo em cada palavra sua.
Pra que falar, se você me destrói a cada gesto
Se me corta os pulsos quando corta os teus
Me mato por pensar em como sentiria tua falta,
Mas de que sentiria falta, de ouvir te dizer
Que mais te feri te amando do que te feriram matando teu filho?
Como você acha que eu me sinto,
Sendo meus pecados maiores que os de quem te traiu?
Eu devo ter te traído bem mais, mentido pra mim mesmo
Tentando consertar o erro de te amar,
Sendo que eu deveria desde o início ter admitido
Que eu nunca foi digno de ser retribuído
Mas vendo quem você ama,
Mister que eu me rebaixasse muito para que me amasse...
Como me iludi, achando que você realmente ainda confiava em mim
Que só dizia verdades, quando dizia que eu realmente te importava algo
Eu te decepcionei, eu te enganei...
Eu te maltratei por te ver como culpada
quando finalmente me conveci que tinha errado,
Você parou de me dizer que ainda me amava...
O que eu tenho que fazer, te trair, cuspir na cara dos outros
Te fazer mais mal que você poderia fazer a si própria?
Me esconda a sua vida
Por que ela me faz me arrepender de gastar tantas noites,
de chorar cada lágrima...
E se tem algo que me faz ter certeza de que eu era o idiota que tu me acusas,
É lembrar de um dia ter te chamado de "perfeita".
Noite
A doença que me consome, perfura minha alma,
Me corta o ventre com faca pontiaguda em febre.
Minhas lágrimas dão de comer aos vermes
Que as letras do teu nome corróem.
Correntes que prendem erros ao presente
Mentiras, justificadas talvez, destróem
A dor que senti vejo de volta inerente
Minhas asas feridas sucumbem e somem.
Lágrimas que eu pensei nunca mais despejar...
Maldito presente que não me dá futuro!
Me machuca simplesmente não ter o que contestar...
É sua vida, e eu tenho de me contentar...
Errei, menti, enganei.. dizendo "te amo, mas nos destruo"
Mas você acha que não sofri o suficiente por te amar?
Frio
Sinto um frio estranho,
Numa tarde de calor abrasivo
Ao meu lado o copo vazio
O perambular das formigas,
Caço ar para cantar refrões pequenos,
Tusso três, quartro palavras e então silencio
Levanto, sinto em mim um peso descomunal
Deixo a música tocando,
Tomo mais um remédio.
Me abraço e me sinto abraçar o mal
Garreia minhas costas, minha garganta
Me sufoca e segura minhas pernas,
Exibe a face e meu peito arranca
Estala minhas costelas enquanto as quebra;
E eu imóvel, com frio, e no sol.
Versos melódicos me acariciam
Deixo meus olhos fecharem e balbucio
Duas palavras que não consigo explusar de mim
Cato roupas pelo chão, vejo o sol aparecer novamente
Seco o chão, as formigas sumiram tão de repente
Sinto frio que é a falta e ao mesmo tempo tua presença aqui
Sem cobertas, de peito aberto sob a janela
O Sol tímido, sucumbe ao vento pálido
Minha garganta se fere de tentar cantar.
Frio que me toma por tua falta,
Me passa os dedos de leve,
Me arrepia e me faz tremer
Sinto tua falta tanto que meu corpo se recusa a se aquecer
Só se deixa esquentar com teus braços,
O sol se humilha, e mais uma vez some.
E eu fico tremendo, sozinho com o copo vazio
Tomo mais um remédio, sinto cada vez mais frio
Frio que só me dá mais frio...
Frio.
Lençol
Nuvens saturadas no céu
Um colchão esticado, um lençol dividido
Eu abraço não dado, um olhar indeciso
As flores se curvam na chuva
Minha alma em paz,
Repousando no teu peito
Mesmo que meu corpo deite ao teu lado
Sem esboçar o menor movimento,
Minha mente está abraçada contigo,
Mesmo que meus olhos nem te toquem a face
Nossos pés entrelaçados são a prova
Que nosso espírito se une, mesmo sem contato da carne
Não são as perguntas que te trazem aqui...
São as respostas que te fogem a mente perto de mim
São elas que nos ferem,
Então nos abrigamos das dores no abraço breve,
Que é como solista num coral cujas vozes são a chuva
Apenas diga que sou eu quem te guia pela névoa turva...
Execução
A cada dia em que essa agonia me sufoca,
Meu peito a tristeza nos dedos encerra
Corrói os meus sonhos e mágoas desterra,
Atrofia minha mente em úlcera nervosa,
Estripa às formigas minha alma leprosa,
Cede aos vermes em pedaços minhas telas
E devora meu corpo como fosse uma fera.
O quanto mais, me pergunto:
Seria possível sonhos suportarem este ataque?
Se nem eu próprio mais reconheço minha face,
Deformada de cefaléias e chagas,
Que se acumulam dando de comer às pragas,
Que habitam essa chuva torrente e nefasta,
Que chamo de vida, que chamo de casa?
Só me resta esperar que meus esforços
Rendam-me mais que decepções e escombros
Alimento-me de restos de felicidades passadas,
As migalhas do presente não mais me saciam a fome;
Deixo-me levar por incerta cartada
Que me deu breve otimismo citando teu nome,
Tonto e enjoado,
Neusante do fedor das moscas na carne podre;
Me sigo próprio às entranhas arrastando
Caminhando lentamente com o estomâgo sangrando
Rodeado de abutres famintos em rebuliço insano,
Dos que acontecem antes do jantar humano,
Mas que entre os abutres comemora a carniça
Que breve se mostra a ruir inteiriça,
Antevendo o banquete a servir a corja inimiga.
07:46
Pássaros que voam sem rumo,
Em direção ao inalcançável
Me retiram as forças em suspiro
Dilaçeram os laços do palpável
Meus braços ao redor de ti,
E teus olhos, cobertos pelo teu cabelo,
São como me marcassem a ferro em brasa:
Eis tua vida, eis tua amada;
E eu me culpo, te anistio
Mas te amar é cada vez mais sufocante
Engulo as lágrimas e penso em ti
Se houvesse uma forma de te ver sem doer assim,
Eu pegaria em seu braço e nunca mais te soltaria;
Entraria em tua alma de tanto olhar-te os olhos,
Tatearia-te de leve como se quisesse te cobrir...
Só desejo amar sem dor sentir
Que faça bem apenas,
Que não me desligue das minhas obrigações
E que na medida do seu tamanho fizesse-me feliz...
O que seria pra sempre.
(...)
Se meu peito pudesse te falar cada palavra,
Ou mesmo ainda se houvessem palavras para tal;
Se ele descrevesse em capítulos minha angústia
Em ver teu pulso marcado cicatrizante...
Teu amar por mim seria testado,
Você jamais faria isso de novo,
Por medo de me ter calado,
Sob a terra que nesse dia você teria se atirado...
Eu te amo, por mais que eu não seja o bastante sábio pra demonstrar...
Eu abriria mão de tudo por ti...
Não me mate por matar-te, você mataria ao menos minha vontade de existir...
Me encarceraria num constante te procurar e não te ter...
Que medo eu tenho de um dia te perder,
Que me congela nesse instante de ser o que devo...
Se meu peito pudesse te contar a dor que sente
Ao relembrar a imagem de teu pulso fino...
Eu temo por você longe de mim...
A cada vez que me despeço, sinto-me rasgar
E agora ainda temo, pelos motivos que fazem-te sangrar...
Como eu queria poder estar perto de ti quando fizeste o que fez...
Como me dói a imagem do que poderia ter acontecido,
Me mato só por pensar no teu suicídio...
Eu imploro que nunca mais repita...
Ânsia
*Os artistas que se dependuram nos arietes das angústias
Observando a fraca carne em pútrida lamúria
Desprendem-se em vermes que lhe consomem a carne escura
Remoendo-se em dores que a própria mente estupra;
Estalando como juntas pobres de cálcio
Ossos que esfarelam como em tétano agonizante
Te persigo como andando a pés descalços
Ouvindo tuas afrontes que me clamam por infante;
Fraco sou eu de ti diante
Realizo que minhas ações não passam de palhaçadas,
Que me deixam cada vez mais de mim distante...
Queria eu que fosse menos variante,
Que minha personalidade predominasse às minhas burradas,
Mesmo ciente que me chamarias de farsante...
Rápido
Inútil - Desagregado de poder sentir;
Minhas palavras são o ato de repetir
As mesmas frases que eu cansei de dizer,
Por que simplesmente é impossível?
Se eu sou merecedor de uma amizade tão forte,
O que há de errado em mim pra que eu não seja de um amor?
Inevitavelmente penso na minha timidez, na lerdeza de pensamento,
Na imbecilidade de pensar em uma coisa só a todo momento,
Nas frases malditas que te fizeram pensar que eu não te amava mais
No beijo infeliz que nos partiu em dois
Penso que mesmo que compartilhemos a alma,
Seu coração estará eternamente distante do meu...
Tortura
Meus olhos ardem de lágrimas não choradas
Da saudade que eu prefiro não mostrar correspondida
Minhas fracas veias o pobre peito esmaga
Bombeando a cada segundo dores mais malditas
Meu sangue é rio poluido,
Cheio do lixo da mágoa e da mentira
Meu corpo é lento e enegrecido;
Meu coração se endurece a cada dia;
Corpos jazem em frente meus versos
Lambendo as feridas e os remendos dos meus lábios
Verdades com as entranhas expostas
Que você estripou uma a uma com suas palavras
Rasgo a fraqueza enterrando-a em águas turbulentas
Todas as ruínas e colunas
Que mantinham em pé o sentimento
Mas que cruel é o meu amor;
Que se move e se ergue mesmo esquartejado;
Seus olhos e atos são como melodia hedionda
Que fere meus sentimentos e devora minha vida
Que seria de mim ao teu lado,
Senão vítima indefesa à tortura condenada,
Te ouvir e te ver, te beijar com medo de te perder
Perfuraria meus olhos por te ver distante,
Arrancaria meus braços por tornarem-se inúteis na tua falta
Seria como ter em mim um espinho penetrante,
Que entraria em minha pele pra cortar a minha alma...
Lichtgeist
Em que escoam os versos
Nas fendas das cicatrizes abertas,
Você é o que me faz entender o que é certo;
Me afasta das minhas próprias trevas;
Eis teus olhos e teus lábios que se manifestam
Sinto que mais na minha presença,
Provocam e tranquilizam ao mesmo tempo
Ferem aliviando a dor;
Sinto longe de ti como em uma leve tormenta
Me confundindo felicidade e amor;
Partindo os pecados que ainda matenho.
Não são precisos linhas longas ou versos rebuscados;
Mas entre nós nunca são poucas as palavras e os atos;
Só são espessos e distantes; mister sejam mais estreitos
Mister sejam mais constantes, mister sejam mais intensos.
d(eu)/d(vida)....
Seja a vida em módulo
Há sempre limites;
Tendendo a pontos inalcançáveis,
Com todo rigor matemático.
Sistemas sem soluções reais,
Linhas de zeros a cada poste que ficou pra trás
Até que uma única operação os soluciona
Mesmo que seja imaginária, a solução se toma
Descoordenando meus eixos,
Invertendo meus desafetos e desapegos.
Tangente a sonhos e secante à decepções;
É parte de descontinuidades de funções,
Que não se derivam nem em meras novas razões
Sem variar, sem inflexões
Quero continuidade,
Quero simplesmente que haja solução;
Estou cansado de equações pela metade,
Com eixos faltando e a verdade;
Cansei de viver numa abcissa morta,
Quero pontos pra me dar sentido.
Minha vida é como uma função descontínua e complexa;
Cuja solução luta pra não ser simplesmente imaginária
Que se defina e se ache uma e apenas uma,
Ordenada que satisfaça o meu sistema
Resolva meus dilemas,
E que um dia eu me veja
No ponto de ordenada esta e abcissa eu mesmo
Que será o ponto onde me verei sem medo.
Aspas
Acidentes cotidianos, modulações inesperadas
Quando a vontade de esquecer se sobrepõe a coisa amada,
Como posso não ferir,
Se meus gestos se tornaram secos e pontiagudos...
Minha apatia e indiferença são facas;
Eu bem sei;
E por isso me dói cada palavra que eu deixo de lado,
cada olhar que eu desvio, cada minuto que esqueço de pensar...
Minha gana em te ver como minha luz foi tanta,
Que logo se esvaiu e agora escorrega por entre a chuva
Que cai em lágrimas por sobre meu rosto.
Despejo nos acordes e nos números
As falhas diurnas e decepções notívagas
Contadas como riscos e pontos nulos
Em retalhos de páginas mal lidas
Lábios que beijei, sem vontade...
Olhos que mal olhei,
Me dói a alma de tanto mau caráter...
Mas me fere o âmago teus olhos em partida;
Que sou eu contigo, ou minha vida?
Mas que sou eu sem ninguém, com minha sina
Me corto nos cacos do seu coração partido,
Sem remédio que me salve de pisar no vidro
Remédios, fórmulas, jardins e roupas brancas...
Lábios e lágrimas interrompendo uma dança...
Não queria ter que destruir sua noite,
Iludi-la foi mais feliz que a face da mentira
Mas sempre chega a hora do açoite,
Onde eu retorno a desprezar a minha vida...
Por sempre preferir a solidão ao coração de quem me anima,
Encarcerado nas unhas e correntes de meus defeitos...
Lágrimas sobre lágrimas, vejo-nos ambos na tristeza...
Que ilógico!
Resquício
Um passeio na grama;
Passos em falso e descentrados,
Quedas em solo falso;
Me deixo andar descalço
Nos cacos seus e de minhas aflições;
Pois há o que me faça flutuar
Sobre sua sombra a me queimar os pés.
Se em teus atos como tu és em pensamentos
Faça de tua vida, da mente um complemento;
E na minha cabeça tu não tem mais razão de estar
O que era bom agora perdeu lugar;
Pois até a tristeza que eu sentia me fazia te amar,
Foi a felicidade que matou o meu amor por ti,
Sepultou-o numa tumba de rosas e sangue seco;
Erros e desculpas lacrados com desprezo.
Foi a felicidade que matou o nosso amor
Primeiro a sua longe de mim,
E agora a minha em não pensar mais em ti;
Me faço na mente como sempre fui na realidade,
Distante de ti e do que fossemos;
Sinto como um remédio em minha'lma,
Que me traz pra longe de ti e da saudade.
É mais quente o beijo fora da tua boca,
São mais fortes os abraços sem o cheiro da tua roupa;
São mais intensos os sonhos sem tua voz,
São mais escassas as razões pra pensar sem teu olhar,
É mais saudável minha vida sem o constante pesar,
De você ser o que é...
Não a mais tempo para palavas doces
O que restaram foram frases apáticas entre nós
Não há mais sentimento nos poemas
Nem há mais força entre os nós.
Amo mais a vida sem ti do que a ti mesma!
O que eu (não) estou vendo pelo vidro
Minhas pernas inquietas me condenam;
Elas só se acalmam com teu rosto...
Jamais me vi sentindo falta tua na penumbra,
Mas me vejo agora, caçando cheiros numa coberta usada...
Não há mais noção de tempo,
Exceto na tua ausência (que me é quase todo o tempo);
Não houve nenhum esforço meu, ao menos...
E ainda dou-me o direito de ter dúvidas,
Que são culpa minha em restringir nossos momentos
À fins de noite e complementos...
Não espere mais abraços como cumprimentos;
Lhe darei beijos e carícias logo que nos virmos.
Quero que sinta que não me acanho de pouca gana,
O que me prende é sim a intensidade, a minha imaturidade,
E a diferença que tu tens diante das outras,
Com as quais talvez agisse diferente, contudo;
Sem sentir frio por não ter seu corpo a me aquecer durante a noite,
Sem sentir vontade de sentir teu cheiro impregnado em minhas roupas,
E sem a incerteza que - de leve - me atormenta.
Qualquer dúvida, por mais complexa que pudesse o ser,
Não teria a menor importância.
Queria eu que a sensação de ser o momento nosso
Durasse mais que uma noite ou um dia...
Mas por outro lado,
Nada muda quando te revejo o sentimento de alegria,
Ou a complacente conversa que as vezes temos
E que nos harmoniza...
Então me sento em frente ao vidro,
E cantarolo músicas em Dó em nona;
Que são as mesmas notas com as quais chorei e sofri...
Mas que, seja por quanto tempo for, agora lembram teu sorrir...
Cólera
Escorro meus lábios,
Gotejam de mim os destroços de uma humilhação.
Meus sonhos se calam diante da sua imensidão,
tu não foges da minha mente,
Por que de tão presente tornou-se minha maior obsessão...
Minúscula partícula de pesar, transmutada
Em rasgos de palavras,
Em oceanos de dor e dúvidas;
Minha vergonha é a de não ter sabido lidar,
Nem com o seu amar nem com o meu...
Nem com os momentos antes não tão raros de felicidade,
Nem com as perdas e destruições de uma derrota.
Tudo que um dia eu sonhei,
Foi enterrado em mágoas;
A vida me fez ver bem de perto as suas lágrimas...
Mas me privou de ser o motivo de seus sorrissos.
Sonho em meus abraços como sendo o teu abrigo,
Careço de razões pra continuar fantasiando com teu rosto...
Rápidamente se desfazem em lembranças dolorosas,
As imagens que - embora falsas - me ajudam a espantar o que me aterroriza...
O mesmo sorrisso que me acalma,
Sem mudar agora me enraiviza.
Encolerando à fácil exposição,
Meu coração aos poucos se desvaloriza,
Ao limiar da incompreensão e da fatiga.
Meia Luz
Rasga as cortinas da minha alma
Despedaça a minha carne e me encoleriza;
Meu rosto queima no despertar dos sonhos,
Teu nome é como faca encravada no meu crânio.
Um prego que afunda nos meus olhos
Tu martelas a morte em meu ouvido,
Ouço cintilares ecos de gemidos
Fracos ecos da minha saudade
Lampejos embaçados do teu sorrisso..
Eis a tua face em máxima expressão,
Minha dor e minha raiva, que me consomem...
Meus desejos em ojeriza suicidar-se-ão
Deixando-me a sós com minhas angústias e a solidão...
Estado
Uma noite vieram me visitar
Pessoas de bom coração, de alma serene
De força e compaixão;
Ao se aproximar, senti estranho toque,
Senti como se fosse ao teu lado...
Ao me questionar qual seria esse laço,
Eis que a resposta logo viera;
"Esse é o amor que sinto por ti,
puro como o que sentes por ela!"
E raros foram os pensamentos
lúgubres e lamuriosos em minh'alma;
Só restou a vontade de extender aquela paz a ti.
Feliz de quem é certo de seus sentimentos...
Há os que são cárceres de si mesmos,
Chafurnando nas asas do momento.
Impregnados de verdades distorcidas,
Corrompem sua própria alma e lamentam
a perda tão sofrível de uma vida...
Mas eu nunca tive dúvidas,
Amar é a máxima expressão do bem.
Que encarceram em suas mágoas...
Tantos que não aceitam tão pequena condição...
De aceitar, quão simples é meu coração...
Faltas e falhas, mentiras e dor,
Nunca seremos nada,
Duas pessoas que insistem em se ver,
Em se preocupar e se arrepender,
Mas cuja razão única é o amor...
tributo à pessoas que me cercam e apóiam mesmo não estando no mesmo plano que nós. Obrigado.
Porcos
Me ardem o peso das palavras
Que me cortam o sentir em fome;
Sinto o cheiro dos porcos,
Que me caçam a largas passadas...
Na hora meus sonhos hão de vir,
Tornar-se-ão a minha vida enfim
Aquela que habita minhas noites
Que precede meu sono,
E corrompe meu suspirar...
Peca em excessos,
Excede nos retrocessos,
Nossa vida é uma teimosia!
E que nos há de salvar...
Queira ler entre as linhas,
Há mais mensagens que se pode imaginar
Corte minhas veias mais do que estão!
O que ainda me há de tomar?
Lábio
Maculo as paredes dos quadros
Habito as teias dos pensamentos
Calculo as viagens e momentos
Embebendo-me esperando reles fatos.
Que és mais que uma miragem no poente
Estirada com as mãos no meu rosto
Tocando o meu peito com os lábios cerrados
Enquanto o céu desabava em torrente?
Paredes transponíveis
a teimosia que nos há de assegurar;
dessas ilusões do sentimento...
Em tracejos sinuosos teu lábio encerra
O desejo de segurar-te em proteção;
Pra que nosso amor não nos mate em sofrimento!
Tela
Oníricamente a face não tem cor,
Resume seu viver em um exisitr incolor,
Cravado de pedaços e palavras...
Palavras, essas que tem endereço,
Quão ridículas são as declarações!
Quão óbvias são as mentiras,
Não passam de orgulho os entraves,
Lento a despertar tão tarde,
O amor que é cego e é inutil!
Amor esse que é compartilhado,
Mas não entre nós direcionado,
Como é pífil ver-te proferir
palavras tão óbvias e tão densas,
As mesmas as quais escondo aqui!
Julgamento
Quão infeliz é a saudade,
O desgosto do desejo,
A falta do te ver...
Questiono se perto seria melhor...
Talvez seja a distancia que nos salve,
Mas é tão doloroso querer-te aqui,
Que me pergunto se valeria a pena um constante sofrer,
No trocar por ve-la sempre...
E com nossos recentes encontros a considerar,
vejo que ia ser mais que um sofrer constante...
Seria um acostumar;
Seria novamente acostumar ao silêncio, ao chorar baixinho;
Mas eu teria com quem argumentar
Coisas que só entre nós faziam sentido...
Eu quero a tranquilidade de poder falar-te,
Sem ti por perto a felicidade é efêmera;
Persiste até você surgir em minha mente...
Só queria também que fosse justo,
Que fossemos fiéis a nossos sentimentos...
Se mesmo mentindo, escondendo, ainda queremos ficar juntos,
Que mal há se houver consentimento?
O sofrimento sempre fez parte de nós,
E eu nunca quis te deixar pra trás...
Mesmo doendo é melhor a dor do que a aflição que sinto,
De ter-te de volta em minha mente, mas não em meus ouvidos...
Um dia o nosso "adeus" será feliz,
Não o prelúdio de uma manhã chorosa;
Cansei de leva-la embora e voltar ao copo,
Quero levar comigo a certeza de que te importa...
Quero teus lábios procurando os meus,
Não os meus a caçar-te em vão...
Mas não tenho forças pra desejar,
O ânimo de sonhar já a muito se foi,
Você sente o que eu sinto, você chora pelo que chorei;
Mas eu nunca quis isso...
Me transformou, me recriou,
Mas me cortou feridas que nunca fecharam...
E que doem sempre que eu beijo outra boca,
Abraço outro corpo, falo besteiras por falar...
Me dói por que eu sei que não é com esta boca, nem com este corpo,
Que eu seria feliz...
Me dói por que minha felicidade está em ti,
Transcendendo tudo que passamos...
E sei, que se tu sentes o que eu sinto, será assim...
Me beijarias sem querer realmente,
Me abraçaria procurando outros braços...
E de adianta que tu sofras, se só te afasta...
d(Eu, Você)=k
Me devolva as palavras
Que respondem às perguntas que me faço,
Por que eu não me importo mais?
Me alivie as dúvidas,
Por que ela não me importa,
Por que eu não dou a mínima importância,
Enquanto ando sonhando com alguém ainda mais absorto?
Não ouse voltar,
Não arrisque ouvir de mim que você perdeu seu tempo,
Perdeu sua vida distante de mim,
Jamais te perdoaria por ter me feito esperar,
Por ter me feito te amar sem eu mesmo querer,
Por ter realmente me amado e não admitido,
Por ter um dia ainda brigado comigo,
Não te perdoaria jamais, mas não ousaria discordar de mim...
Que mal me fazes, quantas dúvidas motivas,
Quantos nãos já falei por tua causa...
Quantas vezes acordei com a alma mordida...
Quantas vezes me tiraste a calma!
Nós que nunca fomos nada,
Que nada é esse que toma tanto espaço em mim?
Oceano e Trevas
Cortaram as cordas
Que atavam minha vida
A pedaços disformes do passado.
Rangeram portas atrás de mim,
Fecharam-se caminhos,
Mas desataram-se nós em mim.
Nós que me confundiam...
Prendiam, em lembranças,
Em fatos inverossimeis,
Nós que nunca seríamos,
Nós que nunca fomos.
Nós que atavam dores,
Nunca fomos,
Nós que nos amavamos,
Talvez tenhamos sido,
Mas do que nós são culpados?
Só dos nós que se tenham partido...
Som (Capricórnio, Capricórnio)
Não há certeza de nada, exceto a energia
Que circunda, rodopia, gira
Vai crescendo.
Eu vou sentindo como se você estivesse aqui,
Como se quissesse ao menos estar.
Mas eu já senti isso antes,
O que há de diferente?
Há que com você não há o que cobrar...
Não menti, não trai,
Não sofri...
Há o que presente,
No próprio presente estar,
O que sente o presente,
Em ti mesma não ficar
Não ficaram marcas, antes tivesse as deixado;
Que o que fique permaneça por mais tempo...
E se não ficar, não será pra sempre...
Não será o último, e não será o único,
Será apenas um, será apenas mais um;
Será apenas um sábado...
Água (Aquário, Gêmeos... )
Regando jardins de esperança,
Nutrindo rosas rasgadas e caídas,
Reuno pedaços em sorrisos de meio lábio,
Mais profundos e sinceros que uma boca inteira.
Poeira, fuligem.
Não há carros, mas o ar não é puro,
meu corpo não é tão leve,
E o som não é tão suave...
Eis então que sua voz se aproxima...
Teu beijo só me lembra o carinho...
Tuas palavras não me trazem dor,
Queria eu ter despertado sozinho,
Mas quão bom é acordar a dois...
E ver meu corpo ir purificando,
Seus lábios lentamente adocicando,
Com o doce de meus beijos,
Embalar-te um contido sono,
Aquecer-te em uma noite fria...
Se soubesseis do quanto me libertaste...
Talvez me prendesse em teus abraços,
E não mais me soltasse!